Título: Oscilação atrapalha o cotidiano nas companhias
Autor: Modé, Leandro
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/12/2008, Economia, p. B1
Empresários relatam dificuldades para planejar e fixar preço de insumos nas negociações
Marianna Aragão
Na última década, eles se digladiariam a respeito da cotação da moeda americana. Mas a crise financeira mundial fez surgir uma vilã comum a importadores e exportadores nacionais: a volatilidade do real ante o dólar. A montanha-russa do câmbio tem mexido com o dia-a-dia e o planejamento da maioria das empresas que operam no mercado externo.
¿A mudança de patamar não é o problema, o que atrapalha é a volatilidade¿, diz Rodrigo João Gabriel, diretor de desenvolvimento da Carbono Química, distribuidora e produtora de solventes químicos. A incerteza sobre a cotação do dólar já fez a companhia ter prejuízo em algumas operações. Quando, pela primeira vez nesta crise, a moeda atingiu R$ 2,20, a empresa decidiu deixar a mercadoria importada parada no porto por alguns dias.
A expectativa era que o valor do dólar diminuísse. ¿Sempre fica aquela dúvida: se esperar mais um dia, vai melhorar nossa situação? Resolvemos esperar e deu errado¿, conta Gabriel. Os dias passaram e o dólar bateu os R$ 2,50, trazendo uma perda de até R$ 6.500 mil por contêiner. Em outros casos, a companhia ¿acertou¿ no valor - mas perdeu em tempo. ¿Já aguardamos uma semana para fazer a nacionalização de alguns produtos.¿
Outro reflexo da instabilidade do real ante o dólar na vida das empresas é a dificuldade de planejamento. ¿Todas as previsões de vendas e custos que tínhamos feito para 2009 estão paradas¿, diz Jan Peter Zacher, gerente de exportação e negócios internacionais da indústria de tintas Suvinil.
Segundo Zacher a empresa está tendo dificuldade em traçar perspectivas de vendas para o próximo ano. ¿Estamos trabalhando fortemente o primeiro trimestre, mas ainda é uma incógnita como vamos seguir negociando.¿ A Suvinil exporta apenas 5% do faturamento, mas tem grande parte de seus insumos fixados em dólar.
NOVOS PROBLEMAS
Os prazos de pagamento nas transações internacionais agora estão na pauta das negociações. Segundo empresários, o fornecedor que aceitava receber meses após a entrega do produto agora pensa duas vezes. ¿Ninguém sabe como o dólar estará daqui a 120 dias; o risco cambial é muito grande¿, diz Gabriel, da Carbono Química.
Segundo ele, alguns fornecedores começaram a exigir pagamentos à vista, o que fez a companhia buscar novos parceiros. ¿Optamos por não comprar, caso não haja negociação de prazo. Temos de preservar o caixa da empresa.¿