Título: Tropas de elite lideraram invasão
Autor: Chacra, Gustavo
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/01/2009, Internacional, p. A9

Homens de fardas escuras, rosto coberto de camuflagem pesada, grandes mochilas de equipamento. Os comandos israelenses Tzanhanin e Golani, que acompanham a ofensiva das brigadas em ação na Faixa de Gaza, têm uma missão complicada: localizar comandantes do Hamas e destruir as instalações utilizadas por eles.

A ordem inicial do Comando Central para as equipes de forças especiais é capturar ou neutralizar os líderes. Neutralizar é um eufemismo: se não puderem ser presos, os chefes guerrilheiros devem ser mortos. Segundo o analista Thomas Graven, pesquisador do Centro de Estudos do Oriente Médio da Universidade de Washington, essa doutrina é adotada desde 1973, em consequência da Guerra do Yom Kippur, o primeiro em que a superioridade de Israel esteve ameaçada pela coalizão dos países árabes.

O Tzanhanin é inspirado na infantaria Ranger, dos EUA. Os voluntários, recebidos todos os anos, passam por uma avaliação médica e são imediatamente submetidos aos três dias do Gibush, uma espécie de seleção inicial. Monitorados em tempo integral, encerram o ciclo com uma marcha de 90 km em condições críticas. No percurso devem realizar seis diferentes tipos de provas e não podem falhar em nenhuma. Os números exatos são considerados sigilosos. O Ministério da Defesa limita-se a informar que, das centenas de inscritos restam nessa etapa apenas poucas dezenas de aprovados. O treinamento, de oito meses seguidos de outros quatro de especialização, deve produzir um combatente habilitado como paraquedista, mergulhador, sabotador, atirador de elite capaz de atingir alvos a 600 metros, perito no uso de mísseis antitanque e de fuzis de diversas origens como o americano M-16A, o russo Ak-47 e o israelense Galil Optical, além de facas, pistolas, granadas e explosivos.Naturalmente não passará no teste final sem mostrar habilidade irretocável na luta corporal.

A tropa Golani, dos Tigres Voadores, é especializada em missões urbanas em regiões de alta densidade, como Gaza. No centro de treinamento, a Cidade do Inferno, grupos de 12 homens e (raras) mulheres, aprendem técnicas de psicologia, interrogatório, inteligência, sobrevivência, camuflagem, furtividade, operações encobertas, fuga e evasão, além de lutas marciais. E do treinamento para matar.