Título: Com sapatada, Lula descarta pacotaço
Autor: Amorim, Silvia
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/01/2009, Economia, p. B3

Não faltará dinheiro para investir, diz ele

Ana Paula Lacerda, SÃO PAULO

Foi com uma ameaça de sapatada na imprensa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou seu primeiro compromisso oficial do ano: abrir, em São Paulo, a 36ª Couromoda, maior feira calçadista do País e terceira maior do mundo.

Enquanto visitava a feira - acompanhado da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, do governador José Serra e do prefeito Gilberto Kassab -, Lula pegou um sapato de fabricação nacional e fingiu jogá-lo nos fotógrafos, em alusão à sapatada do jornalista iraquiano Muntadar al-Zaidi no presidente americano, George W. Bush, no mês passado.

Bem-humorado e queimado de sol, após os dez dias de férias no Nordeste, o presidente justificou que ¿não quis dar sapatada nos outros, apenas estava se precavendo para que não dessem nele¿. Deixou-se fotografar com os sapatos, dizendo: ¿Adoro ser garoto-propaganda do Brasil. Me dá um produto brasileiro que eu boto na cabeça e vendo.¿

O presidente admitiu, no evento realizado no Anhembi, que o governo vai adotar mais medidas para conter os efeitos da crise financeira no País. Lula descartou a possibilidade de um ¿pacotaço¿, mas disse que está trabalhando com governadores e prefeitos e vai anunciar medidas pontuais em breve, principalmente em relação a investimentos.

¿Se forem necessários mais ¿vinte, trinta ou quarenta bilhões para garantir investimentos, vai ter.¿ Lula afirmou também que não é hora de segurar gastos. ¿É preciso cortar custos, mas o que precisar para criar um emprego vamos fazer.¿ Ele não especificou datas. ¿Se não, a economia pode parar para esperar e ela tem de continuar girando.¿

Os sapatos ainda renderam outra brincadeira, desta vez do governador de São Paulo, José Serra. ¿Vocês estão me devendo um sapato¿, disse ele, após o presidente ganhar um par dos fabricantes de Franca e outro dos fabricantes italianos presentes no evento.

Lula respondeu que ¿não poderia dar a Serra o presente que havia ganho, mas poderia emprestar um pé de vez em quando.¿