Título: Planalto descarta renegociar Itaipu
Autor: Monteiro, Tânia
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/01/2009, Nacional, p. A7

Assessor de Lula minimiza apoio do MST a governo paraguaio

Tânia Monteiro, BRASÍLIA

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, minimizou ontem o apoio do Movimento dos Sem-Terra (MST) ao Paraguai, na disputa que trava com o Brasil pela revisão da tarifa da energia gerada por Itaipu.

¿Vivemos em um país democrático e qualquer partido político ou qualquer movimento social pode defender suas posições à vontade, e essas manifestações são legítimas¿, disse Garcia, reiterando desconhecer que o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, esteja incentivando manifestações por parte do MST.

Segundo o assessor, o governo vai discutir, negociar e tentar encontrar um meio-termo que ajude o Paraguai. Ele rechaçou, contudo, qualquer possibilidade de revisão do Tratado de Itaipu. Paralelamente, longe dos discursos oficiais conciliadores, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) vai monitorar os contatos do MST com os paraguaios e as ações programadas. Integrantes do movimento confirmaram ao Estado a aproximação com o governo paraguaio.

CANAIS

Garcia afirmou que as negociações oficiais com o Paraguai ¿estão sendo realizadas pelos canais institucionais legais¿. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Itamaraty já avisaram que não há nenhuma possibilidade de revisão do Tratado de Itaipu, nem mesmo da dívida com a construção da hidrelétrica ou no aumento do preço pago pelo Brasil pela energia consumida.

O que Lula já ofereceu ao Paraguai é a realização de estudos e auxílio com financiamentos para que o país vizinho possa aproveitar melhor a energia que é produzida em Itaipu. Ofereceu até mesmo apoio para a construção de linha de transmissão - a fim de que a capital paraguaia, Assunção, deixe de sofrer com problemas de queda de energia -, e antecipação de receita futura para aplicação dos recursos em obras para desenvolvimento do país. Mas mudar os termos do tratado ou falar em renegociação da dívida estão fora de cogitação.

O governo continuará acompanhando toda a movimentação do MST no País. Conforme declarações de seus líderes, as mobilizações deverão se multiplicar este mês, por conta das comemorações dos 25 anos de criação da entidade.