Título: Poder inteligente prevê abordagem multilateral
Autor: Dantas, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/01/2009, Internacional, p. A8
Acadêmico de Harvard que cunhou termo diz que EUA não estão sós no mundo, mas devem assumir o centro dele
Washington
Elaborado pelo cientista político Joseph Nye, da Universidade Harvard, o conceito de ¿poder inteligente¿ (ou ¿smart power¿, em inglês) - citado pela futura secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton - designa a capacidade de se atingir objetivos na arena internacional, combinando simultaneamente o ¿hard power¿ (poder duro), formado pela força militar e ação econômica direta, e o ¿soft power¿ (poder brando), composto pela influência ideológica e cultural.
Nye, de 71 anos, foi vice-subsecretário de Estado de 1977 a 1979, durante a administração de Jimmy Carter. Depois disso, atuou como líder do grupo de trabalho sobre não-proliferação nuclear do Conselho de Segurança Nacional.
Ele vincula o princípio do ¿poder inteligente¿ à doutrina descrita nos anos 40 como a ¿do porrete e da cenoura¿ - a teoria de relações internacionais que prevê castigo ou recompensa da potência maior para a menor, de acordo com as ações da segunda. O ¿poder inteligente¿ consagra o multilateralismo. ¿Os EUA devem conscientizar-se que não estão sós no mundo, mas precisam assumir a responsabilidade de estar no centro dele¿, declarou Nye em declarações no ano passado. ¿Liderança e poder estão intimamente relacionados e existe mais de uma forma de exercê-los.¿
O Irã pode ser o primeiro grande teste para a doutrina do ¿poder inteligente¿ de Hillary. Na audiência no Senado, ela afirmou que o presidente Barack Obama vai buscar uma nova estratégia que incluirá o ¿engajamento¿ com o Irã, para tentar mudar o comportamento do país.
Hillary, porém, deixou claro que o governo Obama continuará a tratar com toda a dureza o que é percebido como ¿promoção do terrorismo¿, ¿interferência contínua no funcionamento dos outros governos¿ e a ¿busca de armas nucleares¿ por parte do Irã.
Hillary especificou que o futuro governo americano considera ¿inaceitável¿ que o Irã obtenha armas nucleares.
¿Nós vamos liderar com a diplomacia porque é a abordagem inteligente. Mas sabemos que a força militar algumas vezes será necessária, e contaremos com ela para proteger nosso povo e nossos interesses quando e onde necessário, como um último recurso¿, esclareceu.
REUTERS E AP, COM FERNANDO DANTAS
AS TESES DE NYE
Poder brando (soft power) - É o exercício de influenciar corpos políticos por meio de métodos diplomáticos não diretamente coercitivos, como a predominância cultural e ideológica
Poder duro (hard power) - É o termo que descreve a utilização de coerção militar ou econômica para influenciar a relação com ou os interesses de corpos políticos externos. O princípio favorece o unilateralismo da potência hegemônica, é altamente agressivo e mais efetivo quando imposto a corpos políticos de menor poder
Poder inteligente - É a evolução e a junção de oportunidade dos dois princípios anteriores