Título: Empresários e centrais pedem agora menos spread
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/01/2009, Economia, p. B4

Apesar dos elogios ao corte decidido ontem, todos querem que o Banco Central aprofunde a redução e insistem na queda dos juros bancários

Ao mesmo tempo em que apoiaram a queda de 1 ponto porcentual na taxa básica de juros, empresários e sindicalistas reclamaram que o Banco Central poderia ter ido além, diante da crise econômica considerada grave.

O presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), Abram Szajman, disse que, finalmente, o BC compreendeu a gravidade da crise. ¿Estamos clamando pela redução dos juros desde quando, no ano passado, ficou evidente que a inflação não ultrapassaria a meta e que a crise atingiria fortemente o Brasil.¿

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou como ¿sensata e pragmática¿ a decisão do BC, mas destacou que só a queda da Selic não é suficiente. ¿São necessárias medidas que levem à redução do spread bancário, de modo a promover redução mais expressiva do juro para o tomador de crédito.¿

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, acha que a queda sinaliza uma retomada de consumo, mas não consegue avaliar se a medida vai frear demissões no setor. ¿É preciso ver como a redução chegará na ponta do varejo.¿

Humberto Barbato, da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), lembrou que a Selic é um mero sinalizador. ¿Resta saber o que os bancos farão.¿ De qualquer forma, ¿poderemos ao menos amenizar o clima de catastrofismo dos últimos dias¿.

Para o economista da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo, a decisão do Copom de reduzir em 1 ponto porcentual a taxa básica de juros não surpreendeu. ¿O desaquecimento muito forte e rápido da economia influenciou a decisão do Copom.¿

TRABALHADORES

O presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, defendeu a redução do spread bancário como ¿a próxima luta¿ para melhorar o acesso ao crédito e dinamizar a economia.

¿A redução de 1 ponto é importante diante da crise, já que representa R$ 15 bilhões a menos em pagamento de juros¿, disse o sindicalista.

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, classificou a queda de ¿tímida e insuficiente para impulsionar a economia¿.