Título: Farc soltam primeira leva de reféns
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Fonte: O Estado de São Paulo, 02/02/2009, Internacional, p. A9

Missão do Exército brasileiro e da Cruz Vermelha resgata na selva três policiais e um militar; mais dois cativos serão soltos até 4ª

AP e Efe, Bogotá

Uma operação humanitária com participação do Exército brasileiro libertou ontem quatro reféns políticos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Um soldado e três policiais sequestrados em 2007 foram entregues pela guerrilha a uma comissão formada por integrantes da Cruz Vermelha Internacional (organização que coordenou a libertação), militares brasileiros e um grupo de quatro mediadores colombianos liderados pela senadora Piedad Córdoba.

A operação durou 11 horas. Às 19h55 locais (21h55 de Brasília) o helicóptero brasileiro encarregado de resgatar os reféns de uma região de selva no sul da Colômbia, retornou, já com os quatro a bordo, para o aeroporto de onde havia saído pela manhã, em Villavicencio, a 120 quilômetros de Bogotá."Temos que lutar por todos os prisioneiros que ainda estão nessas selvas", disse o soldado William Domínguez, um dos libertados.

Em Villavicencio, os reféns estavam sendo aguardados por parentes, jornalistas e membros da organização Colombianos Pela Paz, da qual Piedad faz parte. Eles foram levados para um hotel e devem viajar hoje para Bogotá, num avião das forças de segurança colombianas.

Os quatro cativos fazem parte do grupo de seis reféns que as Farc prometeram libertar unilateralmente em dezembro. Os outros dois reféns são políticos - o ex-governador do Departamento de Meta Alan Jara, sequestrado em 2001, deve ser libertado hoje, e o ex-deputado Sigifredo López, que está nas mãos das Farc desde 2002, deve ganhar a liberdade entre terça e quarta-feira.

MILITARES COLOMBIANOS

Segundo denúncias do jornalista colombiano Jorge Enrique Botero, integrante da missão de resgate, a operação foi atrasada e esteve a ponto de ser cancelada porque as Forças Armadas colombianas "acompanharam" o helicóptero brasileiro em boa parte do seu trajeto. "Espero que isso não atrapalhe a libertação de Alan Jara", disse Botero. "Com certeza, abre um péssimo precedente."

O governo colombiano, que havia se comprometido a cessar todas as operações militares na área em que seria feita a libertação, negou as denúncias. "Lamentamos que por meio da imprensa sejam feitas acusações sem base nem fundamento", afirmou o Comissário de Paz do governo colombiano, Luis Carlos Restrepo.

Essa é a terceira libertação unilateral de reféns políticos da guerrilha. No início do ano passado, as Farc entregaram seis reféns para o presidente venezuelano Hugo Chávez. Nos meses seguintes, a interferência de Chávez em assuntos internos da Colômbia e sua afinidade ideológica com a guerrilha irritaram Bogotá e levaram a uma escalada de tensões nas relações entre os dois países.

O Brasil foi chamado para ajudar dessa vez porque tinha a confiança tanto do governo colombiano quanto das Farc. Como se esperava, sua participação foi mais discreta que a da Venezuela.