Título: Se não houver traição, Michel Temer deve ser eleito
Autor: Samarco, Christiane; Lopes, Eugênia
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/02/2009, Nacional, p. A4
Na véspera da eleição para a presidência da Câmara, o deputado Michel Temer (PMDB-SP) mantinha-se ontem como o favorito na disputa. A expectativa de seus correligionários é que o peemedebista, que já comandou a Câmara por duas vezes (entre 1997 e 2000), seja eleito hoje com cerca de 350 votos. Temer passou o dia de ontem em uma maratona de reuniões, tentando consolidar os votos entre os deputados de 14 partidos que apoiam sua candidatura.
Os outros candidatos à presidência, Ciro Nogueira (PP-PI) e Aldo Rebelo (PC do B-SP), também usaram o último dia para buscar votos. Osmar Serraglio (PMDB-PR), até então candidato, desistiu ontem do embate.
"Estou tranquilo. Traição é uma palavra que não se deve usar aqui. Vamos falar de fidelidade", disse Temer, logo após reunião com o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, e o presidente do PTB, Roberto Jefferson.
"Todas as candidaturas são da base. Por isso é preciso ter cuidado para não macular a relação com outros companheiros. É preciso providências e ações para que essas coisas não sejam maximizadas. Precaução é a palavra de ordem", observou o ministro, ao admitir que a eleição deixará "sequelas". Múcio afirmou ainda que o "melhor" é Temer ganhar a eleição no primeiro turno.
Na tentativa de reduzir possíveis reflexos do resultado da eleição do Senado na Câmara, os líderes decidiram antecipar o horário da eleição para as 10 horas - a previsão inicial era que a disputa na Câmara começasse ao meio dia. Com isso, as eleições na Câmara e no Senado ocorrerão ao mesmo tempo.
"Isso é uma demonstração clara de que estão com receio, com medo", disse Aldo Rebelo, que foi pessoalmente ao gabinete do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), reclamar da mudança. "Não estamos com medo da eleição no Senado. Apenas houve um acordo de procedimentos entre os líderes", rebateu o líder do PT, deputado Maurício Rands (PE).
Uma das preocupações dos integrantes do bloco de partidos que apoiam a candidatura de Temer é com as possíveis traições entre os aliados. Mas o líderes partidários garantiram ontem que as dissidências serão mínimas, permitindo que Temer vença com uma ampla margem de votos.
Temer almoçou na casa do líder do PR, deputado Luciano Castro (RR), e participou das reuniões das bancadas do PT, PSDB, DEM, além de se encontrar com os deputados da frente evangélica. Recebeu ainda a garantia do voto em sua candidatura dos deputados Dr. Rosinha (PT-PR) e Domingos Dutra (PT-MA), que ameaçaram votar contra ele.
Líderes dos 14 partidos que apoiam Temer passaram o dia tentando demover aliados a não se enfrentar na disputa pelos outros oito cargos da Mesa Diretora. Pelo menos em dois casos houve desistências.