Título: Suíça bloqueou contas de envolvidos na Satiagraha
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/01/2009, Nacional, p. A6
Sem citar nomes, Ministério Público suíço diz que colabora com Brasil e que vem facilitando a repatriação de recursos de origem ilícita
Jamil Chade
O Ministério Público da Suíça identificou contas em bancos de Genebra e Zurique de pessoas envolvidas na Operação Satiagraha e aceitou cooperar com o Brasil. Ontem, os suíços confirmaram que bloquearam contas secretas nos bancos do país a pedido do Brasil.
Como resultado da cooperação entre os dois países, o Brasil enviou uma carta rogatória a Berna pedindo o congelamento de contas, o que foi aceito. "Executamos o pedido das autoridades brasileiras e bloqueamos as contas relacionadas na carta enviada pelo Brasil", afirmou Walburga Bur, porta-voz do Ministério Público da Suíça.
Na quinta-feira, o Ministério da Justiça no Brasil anunciou o bloqueio de cerca de US$ 2 bilhões (R$ 4,5 bilhões) em contas bancárias mantidas no exterior por pessoas envolvidas na Operação Satiagraha. Parte da fortuna está registrada em nome de investidores de fundos do Grupo Opportunity, controlado pelo banqueiro Daniel Dantas, que chegou a ser preso em julho.
O governo evitou listar quais países teriam feito o bloqueio e apenas indicou que cerca de US$ 500 milhões estavam nos Estados Unidos. Para o Ministério da Justiça, foi "o maior bloqueio de recursos suspeitos de ilícitos já feito pelo País".
O ministério também evitou dar os nomes das pessoas que tiveram suas contas bloqueadas, para preservar as investigações da Polícia Federal. A Justiça suíça, a pedido do Brasil, também preferiu não dar os nomes das pessoas que tiveram suas contas bloqueadas, nem os bancos envolvidos. Mas confirmou que se referia aos casos da operação. "O bloqueio se refere às pessoas relacionadas com a Operação Satiagraha no Brasil", afirmou Walburga.
Um grupo de investigadores suíços chegou a viajar ao Brasil para tratar do assunto e a cooperação entre os dois países tem sido intensa. Mas, na Embaixada do Brasil em Berna, a ordem é não dar nenhum detalhe sobre o assunto.
O Ministério Público também confirma que o Brasil ou pessoas no País afetadas pelos acusados vão poder, no momento adequado, repatriar os recursos caso provem que são oriundos de fraudes ou corrupção. "As pessoas afetas ou o governo podem pedir o retorno dos fundos criminosos. A restituição seguirá um procedimento especial", explicou Walburga Bur.
O governo suíço insiste em que vem facilitando a repatriação de recursos a outros países. Mas o processo é lento e exige, antes de tudo, uma condenação final no país de origem das pessoas consideradas suspeitas. No caso dos recursos bloqueados em nome do deputado Paulo Maluf e de sua família, há sete anos, até hoje a Justiça brasileira não conseguiu o repatriamento dos fundos. Maluf nega que tenha dinheiro no exterior.