Título: 2009 será um ano de sacrifício
Autor: Gobetti, Sérgio
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/01/2009, Economia, p. B1

Para especialistas, câmbio melhorou mas falta demanda

Mariana Barbosa e Jacqueline Farid

A forte desvalorização cambial ocorrida no final de 2008 não deverá aliviar a vida do exportador em 2009. ¿Apesar de o câmbio ter melhorado, os preços em dólar caíram e não tem demanda nem para as commodities nem para produtos manufaturados¿, afirma o diretor do departamento de Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca.

O real fraco - o dólar passou de R$ 1,78 (12 de setembro) para R$ 2,37 na última sexta-feira do ano, uma desvalorização de 24,9% - eleva o lucro do exportador. Porém, como ele venderá menos lá fora devido à crise, quase ninguém está comemorando. ¿É uma grande ironia. Agora que o lucro por unidade exportada está melhor, não tem volume e a quantidade exportada cai¿, diz Fonseca. ¿2009 vai ser mais um ano de sacrifício.¿

Para a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o ano de 2008 começou com euforia e terminou com decepção para o comércio exterior brasileiro. ¿Chama a atenção a forte deterioração do cenário do comércio no último bimestre do ano. A média diária de exportações, que ficou em torno de US$ 900 milhões mensalmente em 2008, despencou para US$ 841 milhões em outubro, para US$ 737 milhões em novembro e, finalmente, US$ 628 milhões em dezembro¿, afirma o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro.

PROJEÇÕES

Para 2009, Castro não arrisca projeções. ¿Será um ano muito difícil de prever e com certeza haverá muitas revisões de projeções até dezembro¿, diz o Castro. ¿Mas é certo que haverá uma queda na corrente de comércio (soma das importações e exportações) e é a corrente de comércio que gera emprego e ajuda a economia a crescer.¿

Em 2008, houve um aumento de 32% na corrente de comércio (soma das importações e exportação) na comparação com o ano anterior. As exportações totalizaram US$198 bilhões e a as importações, US$173,2 bilhões.

Castro não descarta a possibilidade de haver até um aumento no saldo comercial - devido a uma queda mais acentuada das importações.

Já a Fiesp prevê uma diminuição ainda maior do saldo comercial, com queda nas exportações e um pequeno aumento das importações. ¿Devemos sair dos US$ 197,9 bilhões (2008) para algo em torno de US$ 190 bilhões a US$ 195 bilhões em 2009¿, prevê Fonseca.

Se isso acontecer, será a primeira queda nas exportações desde 2000. Já as importações, na sua avaliação, continuarão crescendo, mas a um ritmo bem menor. ¿Estimo que as importações devem sair de US$ 173,2 bilhões para algo em torno de US$ 185 bilhões¿, diz Fonseca. ¿Isso dá um saldo de US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões.¿