Título: Obama pede US$ 664 bi para Defesa
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Fonte: O Estado de São Paulo, 27/02/2009, Internacional, p. A10

Orçamento prevê gastos de US$ 215,5 bilhões apenas para as campanhas militares no Iraque e no Afeganistão

AP e Reuters, WASHINGTON

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu ontem ao Congresso a liberação de uma verba suplementar de US$ 75,5 bilhões para as guerras do Iraque e do Afeganistão, elevando os gastos planejados para o ano fiscal de 2009 com as chamadas "operações de contingência no exterior" para US$ 215,5 bilhões. O orçamento para 2009, feito em 2008 pelo ex-presidente George W. Bush, previa US$ 140 bilhões para cobrir as despesas dos conflitos.

O aumento imediato seria necessário para o deslocamento de tropas prometido por Obama, que quer retirar militares do Iraque e levar mais soldados ao Afeganistão ainda este ano.

Se o pedido de verba extra for aprovado, 2009 será o ano em que os EUA vão gastar mais com guerras desde 2001, quando invadiram o Afeganistão. A média de gastos mensais ficará em US$ 18 bilhões, mais do que as despesas do Brasil com a Defesa em todo o ano de 2007. Em 2008, os EUA gastaram US$ 190 bilhões com as guerras.

Apesar do aumento este ano, o projeto de orçamento de 2010 reduziu a previsão de gastos com as guerras para US$ 130 bilhões. O presidente prometeu uma redução ainda mais drástica em 2011, quando prevê gastar US$ 80 bilhões.

Antes de apresentar a proposta de orçamento, Obama havia prometido o fim do "custo escondido" das guerras - os democratas acusavam Bush de separar os gastos com armas e pagamento de soldados, dificultando o cálculo correto do custo total dos conflitos. Entretanto, no projeto apresentado ontem, salários e planos de saúde dos militares continuaram fora da contabilização.

DEFESA

O gasto total com a Defesa americana em 2010 ficará em US$ 664 bilhões, segundo o projeto de orçamento de Obama. O valor equivale a mais de seis vezes o PIB de 2008 do Iraque e Afeganistão somados.

Apenas as despesas do Pentágono com a compra de armas, veículos, manutenção de bases, pagamento de salários (excluído o custo direto das guerras) deve ser de US$ 534 bilhões em 2010, 4% a mais que no ano anterior.

O aumento teria o objetivo de contratar mais soldados e melhorar os serviços médicos. A proposta enviada ao Congresso indica cortes em programas de armas, sem especificar quais serão cancelados ou reduzidos. Segundo o secretário de Defesa, Robert Gates, por causa da austeridade orçamentária, o governo "revisará todos os programas de armamento" para que "cada dólar dos contribuintes seja gasto da forma mais eficiente possível".

SAÍDA DO IRAQUE

Funcionários do governo informaram que Obama deve anunciar ainda hoje a retirada do Iraque de todas as tropas americanas de combate até agosto de 2010. Um contingente "residual" de cerca de 50 mil homens deve permanecer em território iraquiano para dar apoio logístico e treinamento às forças do Iraque.

ALTAS DESPESAS

US$ 4,6 bilhões

é o preço apenas da plataforma navegável de um porta-aviões Classe Nimitz, sem o Grupo Aéreo. Os EUA têm pelo menos 10 deles em plena operação

US$ 137 milhões

custa cada caça supersônico F-22 Raptor. Centenas foram encomendados pela Força Aérea e estima-se que cerca de 40 estão em operação

US$ 18 milhões

é o custo de cada helicóptero Apache

US$ 250 milhões

é o custo mínimo para a instalação de qualquer base militar no Exterior

US$ 25 bilhões

são gastos anualmente para a manter o arsenal nuclear dos EUA (custo da operação das forças estratégicas, revisão e modernização das armas, e da manutenção em condições de uso)