Título: Mínimo de R$ 465 põe R$ 21 bi na economia
Autor: Farid, Jacqueline
Fonte: O Estado de São Paulo, 31/01/2009, Economia, p. B4
Aumento real de 6,39% beneficia 42,1 milhões de trabalhadores
Jacqueline Farid
O reajuste do salário mínimo para R$ 465, que entra em vigor amanhã, vai injetar R$ 21 bilhões na economia a partir de março, segundo cálculo do ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi. De acordo com ele, o mínimo já subiu 46,05% no governo Lula e o novo aumento vai ajudar a aquecer o mercado interno, mesmo com a crise.
O aumento real do mínimo será de 6,39%. Segundo Lupi, esse aumento vai beneficiar 42,1 milhões de trabalhadores. "Essa é uma forte fonte de aquecimento da economia do Brasil e do mercado interno", disse durante entrevista na sede do Ministério do Trabalho no Rio.
Segundo Lupi, o cálculo de quanto será o efeito do aumento do mínimo no resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2009 ainda não está fechado, mas ele estima que estará em torno de 0,1 ponto porcentual a 0,2 ponto porcentual.
O salário mínimo registrou um aumento real de 46,05% desde o início do governo Lula, em janeiro de 2003, até o último reajuste, anunciado ontem, segundo contabilizou Lupi. Os aumentos reais (descontando a inflação), ante ano anterior, foram de 0,53% em 2003, subindo para 2,18% em 2004; 7,19% em 2005; 13,89% em 2006; 4,96% em 2007; 3,78% em 2008 e, por fim, 6,39% em 2009.
O aumento divulgado ontem foi garantido por Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Lula, já que o Congresso ainda não aprovou o projeto de lei encaminhado pelo governo em 2007 e que define a política para o mínimo até 2023. "Faço um apelo ao Congresso para que aprove logo o projeto", disse o ministro.
O projeto em tramitação no Legislativo prevê que o mínimo será reajustado pela variação do PIB do ano anterior, somada ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses, que foi exatamente a conta usada para o aumento definido para este ano.
SEGURO
Lupi disse que o ministério está estudando a criação de um seguro-emprego. "É um seguro focado no emprego, não no desemprego, que pretende garantir a empregabilidade", afirmou.
O ministro não quis detalhar a iniciativa com o argumento de que a fase ainda é de estudos, mas adiantou que o seguro-desemprego permanece. Segundo ele, o seguro para o mercado de trabalho não pode focar apenas o desemprego no País.