Título: Brasil vai pedir reforma no FMI
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/03/2009, Economia, p. B8

País apoia no G-20 proposta de fim dos paraísos fiscais.

O Brasil levará ao G-20 uma proposta para estabelecer uma nova fiscalização de operações financeiras internacionais, além de "reforçar e reformar" o Fundo Monetário Internacional (FMI). O objetivo do governo será indicar como instituições multilaterais poderão resgatar economias em desenvolvimento e evitar uma quebra generalizada. Mas o Brasil afirma que apoiará a proposta da Europa de dar um fim nos paraísos fiscais espalhados pelo mundo e apelará por um compromisso contra o protecionismo.

Nesta semana, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se reúnem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fechar as propostas. Meirelles e Mantega partem para Londres na sexta-feira, para um encontro em nível ministerial do G-20. No início de abril, as 20 maiores economias do mundo devem lançar uma reforma completa do sistema financeiro.

Como primeiro passo, o governo vai defender a criação de novas formas para reforçar o FMI, com o objetivo de resgatar economias mais vulneráveis. Segundo o Banco Mundial, a crise poderá deixar um rombo de US$ 700 bilhões nos países emergentes, que não terão como tomar empréstimos.

Diante desse cenário, Meirelles admite que há países que precisarão de crédito por um tempo mais prolongado. Uma das ideias é que as linhas de crédito do FMI sejam estendidas por três anos, e não três meses como é hoje.

Meirelles garante que o Brasil não precisará do Fundo. "Não há um problema de financiamento para o Brasil." Ele ainda aponta que a proposta de reforma do FMI também continuará sobre a mesa para permitir uma maior voz dos países emergentes nas decisões do FMI. "Vamos definir os detalhes com o presidente Lula."

O Brasil também quer adotar uma nova fiscalização de operações internacionais, como a de derivativos. Subsidiárias de empresas brasileiras no exterior fazem operações com bancos estrangeiros que não são registrados nem no Brasil nem no exterior. "Ninguém fiscalizava." Meirelles disse que irá recomendar a Lula que apoie a proposta de dar um basta aos paraísos fiscais.