Título: Meu trabalho é realizado com base na lei e na Constituição
Autor: Macedo, Fausto
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/03/2009, Nacional, p. A6
Praticamente isolado na PF, policial diz que não teve acesso a investigação contra ele, mas que não teme ser enquadrado
Protógenes Queiroz: delegado da Polícia Federal
"Não tem nada apurado contra mim", declarou Protógenes Queiroz, ao ser indagado sobre o inquérito da Polícia Federal que deverá ser concluído com seu indiciamento por quebra de sigilo funcional, espionagem ilegal de autoridades e políticos e uso irregular de arapongas da Abin na Satiagraha.
Praticamente isolado na instituição que integra há 10 anos, Protógenes Queiroz retornou a São Paulo na semana passada para participar de uma sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito das Operadoras de Seguros, na Assembleia. Ao final, conversou com o Estado. Negou abusos da Satiagraha e criticou propostas para redução do prazo legal de interceptação telefônica.
O sr. conta com a possibilidade de ser indiciado?
Eu tenho recebido notícias e informações pela imprensa. Não tive acesso a nenhum detalhe. Não pratiquei qualquer tipo de ilegalidade. Meu trabalho é realizado com base na lei e na Constituição.
Teme ser enquadrado?
De maneira nenhuma. Se houver qualquer medida nesse sentido vai ser totalmente arbitrária, descabida. Logo, logo o Brasil vai conhecer em que condições esta autoridade (delegado da PF que o investiga), por ventura, tomou esse tipo de medida.
Considera que está havendo uma inversão no caso Satiagraha?
Exatamente, o banqueiro bandido Daniel Dantas está em total liberdade, se defendendo, e voltaram-se contra mim e contra o dr. De Sanctis (Fausto De Sanctis, juiz que condenou Dantas a 10 anos de prisão) com inúmeros procedimentos. Inversão de valores total, na competência do Judiciário e nas atribuições da Polícia Federal.
Surpreso?
Isso causou muita surpresa, não só a mim, mas como ao Brasil inteiro. A sociedade toda se vê indignada com esse tipo de procedimento. Isso não me intimida, muito pelo contrário. Cada vez que caminharem nesse sentido, contra mim e o dr. De Sanctis, mais iremos lutar para saber de onde estão vindo essas pressões e essas forças que se aliam ao banqueiro bandido. O Brasil ficou indignado com esse tipo de situação. Estou aguardando, com serenidade.
A CPI dos Grampos sugere prazo limite de 180 dias para interceptação. É um prazo adequado?
Eu não acho. Esse prazo deve ser ampliado devido à complexidade dos crimes que são alvo de escutas. Esse prazo é muito pequeno. Se for aprovado, o instrumento da interceptação vai ficar restrito a crimes de menor complexidade.
Para o sr. não deve haver limitação?
O ideal seria que tivéssemos uma limitação primária, prazo mínimo de 12 meses e máximo de 24 meses. Suficiente para investigar organizações criminosas, voltadas para a lavagem de dinheiro, evasão de divisas, crimes financeiros e crimes de corrupção, desvio de recursos. O Brasil encontra-se mergulhado em um estado de calamidade, a corrupção grassa em diversos níveis.