Título: Assessor de Lula pode dirigir PT
Autor: Rosa, Vera
Fonte: O Estado de São Paulo, 31/03/2009, Nacional, p. A7

Sem nome para comandar legenda, petistas pressionarão presidente a liberar chefe de gabinete

Vera Rosa

Com dificuldade para encontrar candidato, o PT vai pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em abril, que libere seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, para comandar o partido. O movimento, capitaneado por dirigentes da legenda e deputados da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB) - tendência de Lula no mosaico ideológico do PT -, é mais um capítulo da novela em que se transformou a disputa na seara petista.

A eleição para a escolha do homem que vai substituir o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e comandar a campanha da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao Palácio do Planalto, está marcada para novembro. A inscrição das chapas será quatro meses antes, mas até agora Lula resiste em abrir mão do auxiliar. Motivo: na expectativa de eleger Dilma em 2010, ele avalia que seu braço direito no Planalto é o petista mais indicado para ajudar Dilma dentro do governo, fazendo a "ponte" com o PT.

"O presidente insiste para que eu continue aqui", disse Carvalho ao Estado. "Ele acha que não tenho perfil para ocupar a presidência do PT, pois é preciso alguém com mais visibilidade para articular as alianças eleitorais." Diante do impasse, Lula escalou o ex-ministro José Dirceu - abatido pelo escândalo do mensalão, em 2005 - para conversar com aliados nos bastidores e atrair os partidos da base, do PMDB ao PSB, em torno da campanha de Dilma.

O caldeirão petista ferve no momento em que o PT vive o constrangimento de decidir se o ex-tesoureiro Delúbio Soares, expulso do partido no rastro do mensalão, pode ou não ser reintegrado. Delúbio quer voltar para concorrer a deputado por Goiás, em 2010, e o PT está dividido sobre o rumo a seguir.

Emissários de Lula vão pressionar o ex-tesoureiro para que ele retire o pedido de nova filiação, sob o argumento de que a medida causaria danos a Dilma. Em troca, prometem ajudá-lo a encontrar abrigo em outra sigla da coalizão governista.

Nesse cenário turbulento, os defensores da candidatura de Carvalho pretendem convencer Lula de que o chefe de gabinete - ex-secretário-geral do PT nos anos 90 - é o único capaz de soldar as correntes internas e evitar rachas que contaminem o palanque de Dilma.

No último dia 24, a ministra jantou com integrantes da Executiva do PT em sua casa e conversou pela primeira vez com a cúpula petista sobre suas expectativas para a condução da campanha.

"Mais de 70% dos deputados do PT apoiam Gilberto Carvalho e vamos pedir ao presidente Lula que o libere para que possamos unificar o partido", afirmou o líder da bancada petista na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP).