Título: BC amplia uso de reservas
Autor: Nakagawa, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/03/2009, Economia, p. B5
Bancos podem repassar recursos a qualquer cliente
Em mais uma ação para tentar aumentar a oferta de crédito, o Banco Central ampliou ontem a possibilidade de uso das reservas internacionais em empréstimos - programa anunciado no início de fevereiro. Agora, bancos poderão usar os dólares do BC para quitar dívidas de suas subsidiárias no exterior ou repassar a qualquer cliente. A medida alivia o caixa dessas instituições que não precisarão usar recursos próprios para quitar dívidas. O diretor de Política Monetária do BC, Mário Torós, diz que a mudança tenta "pulverizar" o crédito sobretudo para as empresas de menor porte.
Até agora, os bancos só podiam tomar os recursos das reservas para repassar a empresas com dívida no exterior, ou quitar suas próprias dívidas com outros bancos.
O BC decidiu, no entanto, exigir garantias mais elevadas nessas operações. Nos repasses às empresas, a garantia máxima é de 140% do valor da operação. No novo mecanismo criado ontem, a cobertura será de 240%.
Segundo o BC, serão duas garantias. A primeira, por depósito interfinanceiro realizado entre o banco instalado no Brasil e a subsidiária no exterior com os dólares que serão liberados pelo BC, no valor de 100% do empréstimo.
A segunda, adicional, será feita com títulos públicos federais ou outros ativos no montante máximo de 140% da operação.
A demanda estimada para a operação continua em US$ 36 bilhões. Desse montante, US$ 15,5 bilhões serão destinados exclusivamente às dívidas de instituições financeiras.
Na operação, os bancos pagarão juro de 1,5% sobre a taxa Libor, principal referência no mercado financeiro em Londres. As datas de crédito dos dólares serão idênticas às do empréstimo para empresas, cujas próximas liberações serão nos dias 13 e 27 de março.
Anunciada no início de fevereiro como "uma ação importante para regularizar a oferta de crédito", o empréstimo das reservas para empresas com dívida no exterior ainda não saiu do papel.
Em 27 de fevereiro, quando deveria ter ocorrido o primeiro repasse dos recursos, nenhum centavo saiu do caixa do BC. A falta de acordo entre as partes envolvidas na operação - empresas, bancos e BC - impediu o início efetivo da operação. F.N.