Título: Importação despenca e balança melhora
Autor: Marin, Denise Chrispim
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/03/2009, Economia, p. B6
Superávit vai a US$ 1,76 bilhão ante déficit de US$ 524 milhões em janeiro
Denise Chrispim Marin
Depois de amargar um déficit de US$ 524 milhões em janeiro, a balança comercial apresentou superávit de US$ 1,767 bilhão em fevereiro. A volta do saldo positivo, no entanto, não é motivo para comemoração. Reflexo direto da crise na atividade econômica no Brasil e nos seus principais mercados, o superávit veio acompanhado de uma queda de 30,9% nas importações e de 20,9% nas exportações, em relação a fevereiro do ano passado.
O resultado divulgado ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostra ainda que, no primeiro bimestre, o superávit acumulado de US$ 1,243 bilhão ocultou queda de 25,6% no intercâmbio comercial do Brasil com o resto do mundo.
No bimestre, as exportações somaram US$ 19,370 bilhões - queda de 21,9%, em relação a igual período de 2008. O resultado não foi pior porque as vendas para a China aumentaram 23,3%, graças aos setores de aeronave, de soja e de celulose. A Ásia, como um todo, foi a única região a apresentar aumento nas compras de produtos brasileiros, de 8,3%, e a expandir sua participação no total das exportações brasileiras, de 15,5% para 21,5%.
As importações do período alcançaram US$ 18,127 bilhões, o que significou um recuo de 21,6%, na mesma comparação. Apenas as compras dos Estados Unidos tiveram um leve aumento, de 3,4%, em função do comércio entre matrizes e filiais no Brasil. As importações da China caíram 12,4%. Mas gerou estranheza o aumento de 80,6% no volume de compras de produtos têxteis. A Secex investiga, nesse contexto, a expansão de até 6.000% em alguns itens de confecções.
Segundo o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, os dados apontam três tendências para os próximos meses. Primeiro, a piora nas exportações para os EUA. Depois, a diversificação dos embarques para a China, com aumento no total de vendas. Terceiro, a rápida queda no comércio com a Argentina.
Em fevereiro, as importações alcançaram apenas US$ 7,821 bilhões - recuando para o desempenho médio mensal de 2006. O tombo de 30,9% deixou estampado o peso da retração na atividade econômica do País. As exportações em fevereiro somaram US$ 9,588 bilhões - ante US$ 9,782 bilhões em janeiro.