Título: Trem-bala entre Rio e SP deve custar mais US$ 3 bi
Autor: Pereira, Renée
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/04/2009, Economia, p. B6

Estudo técnico da consultoria inglesa Halcrow prevê investimentos de US$ 14 bilhões, bem mais que os US$ 11 bilhões calculados inicialmente

Renée Pereira

O Trem de Alta Velocidade (TAV), entre Rio e São Paulo, deverá custar bem mais caro que os US$ 11 bilhões previstos inicialmente pelo governo federal. Segundo fontes do setor, o estudo técnico preparado pela consultoria inglesa Halcrow - entregue na semana passada ao Ministério dos Transportes e guardado a sete chaves - prevê um volume de investimentos de US$ 14 bilhões. Pela cotação de ontem, isso significaria R$ 31 bilhões.

Boa parte desses recursos terá de sair dos cofres do governo, já que o projeto tende a seguir o formato de Parceria Público-Privada (PPP). Sem uma contrapartida do Estado, o trem-bala se tornaria inviável, garantem especialistas. A dúvida é saber se o governo terá capacidade financeira para levar o empreendimento adiante no atual cenário de escassez de dinheiro no mundo. Uma saída seria conseguir empréstimos de bancos de fomento de países interessados em fornecer a tecnologia do TAV.

De acordo com os estudos técnicos, a demanda de passageiros é de 7 milhões de pessoas por ano no trecho entre as capitais paulista e carioca. A maior procura, no entanto, ficará entre Campinas e São José dos Campos, no interior de São Paulo. Nesse trecho, a expectativa é transportar cerca de 11 milhões de pessoas por ano. Apesar disso, especialistas afirmam que 65% da receita do TAV virá do trecho entre as capitais.

Um ex-integrante do governo, que prefere não se identificar, lembra que o primeiro projeto feito pela italiana Italplan previa uma demanda superior a 20 milhões de pessoas por ano e investimento de US$ 8 bilhões, sem contar o trecho até Campinas. "Acho que daqui uns anos esse projeto pode sair do papel, mas não agora, num cenário carregado de incerteza."

GRANDE ADMIRADORA

Por outro lado, o TAV tem uma grande admiradora: a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que já demonstrou em várias ocasiões querer concluir o empreendimento até 2014, para a Copa do Mundo. Não será uma tarefa fácil. No total, serão construídos mais de 530 km de trilhos ligando os dois Estados, sendo 130 km deles por meio de túneis e viadutos. Isso poderá significar grandes entraves ambientais e intensas brigas com os órgãos responsáveis pelas licenças de instalação e operação. O que atrasaria a conclusão da obra.

Desde a semana passada, o governo está debruçando sobre o estudo da Halcrow para fazer os últimos ajustes e iniciar a consulta pública. Por enquanto, as informações estão mantidas em sigilo. Ninguém fala do assunto. Essa foi a resposta dada, por exemplo, pelo Ministério dos Transportes à reportagem do Estado.

A expectativa é que o TAV tenha oito paradas obrigatórias e algumas opcionais, como é o caso de Aparecida, no interior de São Paulo. Há até mesmo especulações sobre uma possível estação no Campo de Marte, na capital paulista, para incentivar empreendimentos imobiliários no local. Uma fonte garante que essa é uma alternativa que vem sendo cogitada no projeto, mas poderia encarecer o empreendimento.

NÚMERO

7 milhões de pessoas por ano é a demanda de passageiros prevista no trecho entre São Paulo e Rio de Janeiro