Título: Calendário do plano coincide com eleição
Autor: Sobral, Isabel; Fernandes, Adriana
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/04/2009, Economia, p. B3
Pico da criação de vagas e entrega de moradias vão ocorrer em 2010
Isabel Sobral e Adriana Fernandes
A entrega das primeiras moradias e o pico de geração de emprego no programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida" vão ocorrer no ano eleitoral de 2010. Ontem, primeiro dia de funcionamento do programa, a Caixa Econômica Federal estimou a criação de 3,5 milhões de empregos com carteira assinada nos próximos três anos. O ápice da abertura de vagas proporcionada pelo programa está previsto para o ano que vem, com 1,6 milhão de postos. Em 2009, a previsão é a geração de 800 mil vagas e outras 1,1 milhão em 2011. A maior fatia dos R$ 60 bilhões de investimentos previstos do programa - R$ 30 bilhões - também será desembolsada em 2010.
Cerca de 3 milhões de cartilhas com detalhes sobre o programa foram impressas para serem distribuídas nas agências da Caixa. Os funcionários das agências vão receber os interessados vestidos com camisetas estampadas com o nome do programa. Segundo a instituição, um quarto da força dos funcionários do banco - cerca de 20 mil pessoas - estará voltada para atender os interessados em moradias populares. A página da Caixa na internet também já oferece um simulador dos empréstimos habitacionais num link direto para o programa.
O vice-presidente da Caixa, Jorge Hereda, escalado ontem para falar sobre o "Minha Casa Minha Vida" no lugar da presidente do banco, Maria Fernanda Coelho, disse que não teme frustração dos brasileiros que não conseguirem ser atendidos. "Não existe só esse programa no Brasil. É a mais", disse.
Hereda informou que a previsão de oferta de empregos foi feita pelos técnicos do Ministério das Cidades. A projeção é bem mais ambiciosa que o 1,5 milhão de ocupações formais previstas no lançamento do programa, há três semanas, pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Se for 1,5 milhão de empregos, já será uma contribuição importante."
O programa, que tem a meta de construir 1 milhão de casas para a população com renda de até dez salários mínimos (R$ 4.650), é uma das principais apostas do governo Lula para estimular a economia e enfrentar a crise. Está sendo coordenado pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a candidata do presidente Lula para a sua sucessão no ano que vem.
A criação de empregos e a garantia de renda aos trabalhadores são obsessões para o governo e, por isso, o programa vai privilegiar os imóveis novos - com habite-se das administrações locais concedidos a partir de 26 de março - ou em construção. No total, a Caixa estima investir R$ 15 bilhões este ano e R$ 30 bilhões no ano que vem.
Para 2011, serão destinados pela Caixa outros R$ 15 bilhões. "Esse novo programa é mais um aporte de recursos ao volume de crédito que já temos para habitação e com melhores condições de aquisição por parte das famílias de menor renda", comentou Hereda.
Evitando projeções de números, Hereda disse que a Caixa deve assinar os primeiros contratos para construir conjuntos habitacionais para a faixa de renda de até três salários mínimos ainda neste mês. Como a partir da assinatura as empresas terão pelo menos 12 meses para entrega, a depender do tipo de habitação, o vice-presidente da Caixa acredita que no ano que vem as primeiras casas começarão a ser entregues.