Título: Crise vai acabar primeiro nos EUA
Autor: Chiarini, Adriana
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/04/2009, Economia, p. B7

Para ex-ministro colombiano Mauricio Cárdenas, efeitos da crise mundial estão só começando na América Latina

Adriana Chiarini, Agência Estado, RIO

O pior período da crise nos Estados Unidos deve ter sido o primeiro trimestre deste ano, mas, para a América Latina, deve ser entre este segundo trimestre e o próximo. A previsão foi feita à Agência Estado pelo presidente da Associação Econômica da América Latina e Caribe (Lacea), Mauricio Cárdenas, também diretor da Iniciativa para a América Latina da organização independente de estudos sobre políticas públicas Brookings Institute, com sede na capital americana.

Cárdenas, que foi ministro do Desenvolvimento Econômico e dos Transportes da Colômbia, participará hoje de um dos primeiros painéis do Fórum Econômico Mundial na América Latina, logo após a plenária de abertura pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, justamente sobre a economia da região este ano.

SÓ NO COMEÇO

O evento terá mais de 500 participantes, de 37 países, na previsão dos organizadores. Cárdenas entende que a América Latina só vai se recuperar depois que a recuperação começar nos Estados Unidos, onde a crise se originou. "A América Latina está só começando a sentir os efeitos da crise", disse Cárdenas.

O economista não acredita que a América Latina possa ser um dos motores do mundo contra a crise, mas registrou o crescimento da importância do Brasil no cenário mundial. "O Brasil tem uma oportunidade real de ter um papel mais relevante no palco mundial, especialmente no FMI (Fundo Monetário Internacional) e no Banco Mundial", disse. "Acho que isso é bom."

Para Cárdenas, o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos vai terminar o ano 2,5% menor do que o de 2008, mas a economia americana deve começar a se recuperar no segundo semestre do ano.

"As coisas vão começar a ficar um pouco melhores nos próximos meses com os estímulos fiscais e a redução das taxas de juros, especialmente a injeção maciça de recursos", disse. Aí, então, poderia aumentar o consumo e as importações dos países latino-americanos.

Na opinião de Cárdenas, este não vai ser um bom ano para a América Latina, mas há chances de a região se recuperar no ano que vem, dependendo do crédito internacional. O risco é faltar financiamento do exterior para as empresas latino-americanas. Há muitos vencimentos para este ano e para o próximo.

"Os bancos podem levar algum tempo para renovar empréstimos à América Latina, que precisa de um volume muito grande de recursos para refinanciar o setor corporativo." Cárdenas argumenta que, se as empresas não obtiverem financiamento, vão reduzir investimentos e, nesse caso, "2010 poderá parecer um ano difícil".

FRASES

Mauricio Cárdenas Presidente da Associação Econômica da América Latina e Caribe (Lacea)

"A América Latina está só começando a sentir os efeitos da crise"

"O Brasil tem uma oportunidade real de ter um papel mais relevante no palco mundial, especialmente no FMI e no Banco Mundial. Acho que isso é bom"