Título: Para o Brasil, o pior da crise já passou, diz Mantega
Autor: Fernandes, Adriana; Graner, Fabio
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/04/2009, Economia, p. B3
O pior da crise já passou para o Brasil, na avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que, ontem, disse que a perspectiva é de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3% a 4% para o último trimestre deste ano, na comparação com os três meses anteriores.
"O fundo do poço já passou para o Brasil, mas não quer dizer que a crise tenha passado. A fase mais aguda ficou para trás", enfatizou, durante audiência pública conjunta nas comissões de acompanhamento da crise e na de desenvolvimento econômico, da indústria e do comércio, todas da Câmara. "Vamos terminar 2009 com economia aquecida", insistiu.
Apesar do discurso otimista, o ministro sinalizou que o governo continuará a dar incentivos para que os impactos da crise sobre o Brasil sejam leves. Entre as medidas, ele citou mais uma rodada de redução de tributos e medidas específicas para alguns setores. "A redução de impostos continuará, mas será de forma graduada, de acordo com nossas possibilidades", explicou, acrescentando que o governo não tirará do foco a continuidade do equilíbrio da dívida do País em relação ao PIB.
Mantega evitou dar mais informações sobre as medidas, alegando que, quando o tema é abordado antes do anúncio oficial, há um movimento inverso, de estagnação do setor, à espera das novidades. Ele admitiu depois, porém, que o governo estuda uma "mudança na estrutura tributária" dos frigoríficos. O socorro aos frigoríficos será discutido hoje em reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os ministros da área econômica.
Também durante a audiência, Mantega anunciou que o governo prepara um fundo garantidor para pequenas e médias empresas. "Isso dará novo impulso ao crédito para este setor." Para ele, embora o crédito tenha voltado aos bancos médios, eles têm receio de emprestar às pequenas e médias empresas. Segundo o ministro, com o fundo, os bancos terão garantia de receber o crédito de volta.
De qualquer forma, Mantega disse sentir um abrandamento dos efeitos da crise nos últimos dias e esperar expansão do PIB no primeiro trimestre. "A nossa queda foi concentrada no quarto trimestre, mas já devemos ver recuperação em 2009."
Na avaliação do ministro, os investimentos também já começam a dar sinais de retomada no mundo e, quando isso se concretizar, o Brasil deverá ser um dos países que receberão mais recursos.