Título: Dia do Trabalho terá menos shows e mais política
Autor: Justus,Paulo
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/04/2009, Economia, p. B4

Enquanto a CUT vai cortar o número de shows em São Paulo, a Força Sindical terá R$ 400 mil a menos para bancar a festa no 1.º de Maio

Paulo Justus

Em tempos de crise, algumas centrais sindicais decidiram deixar de lado os grandes shows e enfatizar o caráter político do Dia do Trabalho. A situação econômica também dificultou o acesso ao patrocínio para as organizações que decidiram realizar grandes eventos.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT), por exemplo, decidiu descentralizar as comemorações do 1º de Maio no Estado de São Paulo. "Não temos nenhuma preocupação em fazer um 1º de Maio a partir do ponto de vista do mercado, segundo a lógica de quem leva mais gente para shows e sorteios", explicou o presidente da CUT São Paulo, Sebastião Cardozo.

Na capital paulista, a central vai promover atos na Zona Sul e Zona Leste, com menos atrações musicais e mais serviços. No ano passado foram 18 shows, enquanto neste ano serão dez apresentações e uma série de ações de atendimento, orientação médica e emissão de documentos. Segundo a entidade, o custo das comemorações será de R$ 500 mil e vai ser bancado pela própria CUT.

Já presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, diz que manteve o mesmo formato do ano anterior, com grandes shows e sorteios. A diferença, segundo ele, foi o menor orçamento. A central sindical conseguiu arrecadar cerca de R$ 2,2 milhões em patrocínio para o evento neste ano, valor inferior aos R$ 2,6 milhões do ano passado.

A central sindical teve de cortar a impressão de bilhetes e informativos do evento, por causa do orçamento menor. "Não fechamos patrocínio com algumas empresas que nos apoiaram no ano passado e que passam por dificuldades, como a Sadia", diz.

A Embraer também deixou de apoiar o evento. "Nesse caso acho que foi por causa dos protestos que fizemos", afirma. Entre os patrocinadores, estão Petrobrás, Caixa Econômica, Bradesco, Ambev e Nestlé.

A Força Sindical espera atrair 2 milhões de pessoas para a comemoração na capital paulista, que ocorre na Praça Campo de Bagatelle. A festa vai ter 30 atrações musicais e o sorteio de 20 carros populares.

As centrais União Geral dos Trabalhadores (UGT), Nova Central Sindical (NCST) e Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) também recorreram a patrocínios para a comemoração na capital paulista. "Vendemos cotas de R$ 100 mil a R$ 300 mil para igualar o orçamento do ano passado", diz o presidente da UGT, Ricardo Patah.

O custo do evento vai ser de R$ 1,3 milhão. Entre os patrocinadores estão os bancos Itaú, Santander, Bradesco e Caixa e os supermercados Carrefour e Pão de Açúcar. Além de shows na Avenida São João, o evento vai homenagear o piloto Ayrton Senna. "Senna foi um dos ídolos maiores deste País e simbolizava a garra e a recuperação do brasileiro", diz Patah.

Com um orçamento bem inferior ao das demais organizações de trabalhadores, a Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) pretende fazer um ato para criticar as posições das centrais sindicais. "Não estamos de acordo com essas comemorações que transformam o Dia do Trabalho em showmícios. Nosso ato será humilde e esperamos cerca de 2 mil pessoas", diz o membro da secretaria executiva da Conlutas, José Geraldo Corrêa Júnior.

O homenageado do ato da Conlutas, que ocorre na Praça da Sé, será o operário Santo Dias, morto na greve de 1979, há 30 anos, durante a ditadura militar.