Título: G-7 vê sinais de estabilização na economia mundial
Autor: Kuntz,Rolf
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/04/2009, Economia, p. B10

Para ministros de Finanças dos sete países mais desenvolvidos, desaceleração global já perde força

Os ministros de Finanças do G-7 (as sete economias mais desenvolvidas) declararam ontem que a desaceleração econômica está perdendo força e já há sinais de "estabilização". No entanto, por causa dos efeitos devastadores da crise internacional, ainda será necessário um esforço conjunto para resgatar os países da pior recessão desde a década de 1930.

"Os últimos dados sugerem que o ritmo de queda de nossas economias é mais lento e estão emergindo sinais de estabilização. A atividade econômica deveria começar a se recuperar no fim deste ano", afirmou o grupo em comunicado conjunto após a reunião em Washington, na sede do Tesouro americano.

"Estamos vendo progressos", disse o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner. "Não há soluções rápidas. Mas por causa dos progressos que conseguimos, tanto no plano doméstico como no global, podemos começar a restabelecer confiança, salvar empregos e tirar a economia mundial da recessão", disse o ministro de Finanças britânico, Alistair Darling.

Alinhadas com a cúpula do G-20, que reuniu os chefes de Estado das 20 maiores economias no início do mês em Londres, as autoridades econômicas prometeram cooperação. "Estamos comprometidos a agir juntos para recuperar empregos e crescimento e prevenir que uma crise dessa magnitude não ocorra de novo", afirmaram na declaração.

O maior desafio, concordaram os ministros, será fazer com que bancos do mundo voltem a emprestar. Para isso, renovaram a mobilização de US$ 500 bilhões adicionais pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para serem aplicados por meio dos Novos Acordos de Empréstimos (conhecidos em inglês pela sigla NAB, de New Arrangements to Borrow), um esquema de captação de dinheiro criado depois da crise mexicana de 1994-95. O governo brasileiro se opõe a esse vínculo e defende a emissão de títulos especiais para os países interessados em contribuir.

Os ministros de Finanças prometeram ainda agir rapidamente para "restaurar o crédito, fornecer a liquidez necessária, injetar capital nas instituições financeiras, proteger os depósitos e as economias e solucionar o assunto dos ativos de má qualidade", disse a declaração.

"Nós não temos tempo a perder", afirmou o britânico Darling, que cobrou dos anfitriões medidas mais eficazes contra a contaminação do sistema financeiro. "Precisamos fazer com que o crédito flua de novo e isso significa que vocês (americanos) têm de separar esses ativos tóxicos. Então, eu espero que os Estados Unidos possam fazer progressos o mais rápido possível."

O G-7 está também determinado a "tomar todas as ações que forem necessárias para retornar ao caminho do crescimento, sem deteriorar a sustentabilidade fiscal a longo prazo", diz a declaração. Isso inclui proporcionar as condições fiscais necessárias, como promover cortes de impostos ou aumento dos gastos do governo.

De manhã, ministros do G-24 (economias em desenvolvimento) se reuniram na sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), para acertar suas posições em relação à agenda. Em comunicado longo, denunciaram o "efeito desproporcional" da crise nos seus países e reclamaram pressa na reforma de cotas e votos para "corrigir o déficit democrático".

O diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, convocou os países a agir mais rápido com os programas de limpeza dos bancos. "Há formas diferentes de fazer isso conforme o país e as circunstâncias, mas deve ser feito", disse. "Autoridades monetárias devem resistir à tentação de varrer o problema para debaixo do tapete."