Título: Crítica à mudança na caderneta é insana, diz Lula
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/05/2009, Economia, p. B4
Presidente Lula repele comparação que alteração na rentabilidade[br]da caderneta se assemelha ao confisco do governo Collor em 90
RIO
"O povo brasileiro me conhece e sabe que eu jamais iria tomar qualquer medida que pudesse prejudicar as pessoas que investem em poupança", afirmou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, referindo-se a uma das medidas econômicas mais delicadas em estudo pelo governo: as alterações nas normas da poupança. Em rápida entrevista no canteiro de obras da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), o presidente rebateu com irritação a propaganda do PPS veiculada na semana passada, comparando a medida ao confisco do governo Collor.
Sem citar diretamente o PPS, o presidente disse que o partido "teve uma atitude insana, mentirosa e de irresponsabilidade total ao dizer que o governo ia mexer na poupança". Mas, não descartou uma eventual mudança, embora tenha evitado entrar em detalhes sobre os estudos. "O assunto será discutido pela equipe econômica no momento que tiver de ser discutido", desconversou.
Para o presidente, aplicação em poupança "não é nem investimento", apenas uma garantia para evitar a desvalorização do dinheiro. Indagado por um jornalista sobre a necessidade de adequação de normas, já que a queda da taxa básica de juros (Selic) tornou os investimentos em poupança mais rentáveis do que as aplicações em alguns fundos de investimentos, o presidente respondeu apenas: "Deus queira que o único problema do Brasil seja o de que os juros caiam para todo mundo".
Lula cumpriu ontem extensa agenda de compromissos no Rio, praticamente sem pausa para descanso, de manhã à noite. Fez discursos adaptados a cada local, mas todos com um tema em comum: a defesa de que o País está mais preparado do que os demais para superar a crise financeira internacional. "Agora a máquina voltou a aprender a investir", declarou, pela manhã, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, referindo-se à atuação do BNDES, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal em meio à crise.
MÃO DE VACA
Mantendo o bom humor, chegou ao canteiro de obras da CSA por volta das 14h e, em tom de brincadeira, iniciou seu discurso dizendo que seria breve, "pois saco vazio não para de pé". E, voltando-se ao presidente da Vale, disse que esperava um lanchinho, "mas o Roger Agnelli é mão de vaca e não encomendou um lanche para economizar e terminar a obra da CSA". A piada arrancou risos da plateia, de cerca de mil trabalhadores, e do próprio executivo.
Dividindo o palanque com o governador do Rio, Sérgio Cabral; o presidente do Conselho da alemã Thyssen, Erwin Eichler, e o próprio Agnelli, Lula disse que talvez a China seja o único País que esteja enfrentando a crise como o Brasil.
"Mas, a China tem certas vantagens que, na verdade, são desvantagens. Lá o que um único partido decide está decidido. Aqui, não", afirmou.
ADRIANA CH