Título: BC intervém, mas dólar volta a cair
Autor: Nakagawa, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/05/2009, Economia, p. B1

Com a avaliação de que melhoraram as condições do mercado, o Banco Central voltou ontem a comprar dólares no mercado à vista para, oficialmente, reforçar as reservas internacionais. Essa operação não era realizada desde 10 de setembro de 2008. Mas a ação não interrompeu o recuo do dólar. Pelo contrário, a tendência foi acentuada após a intervenção e o dólar fechou em queda de 1,99%, a R$ 2,068, no menor preço desde 3 de outubro de 2008. Em nota, BC reafirmou que não tem como objetivo estabelecer um piso para as cotações.

Em uma semana de ingresso expressivo do dólar e queda de 5,48%, o BC confirmou a previsão de analistas ao retomar a compra de dólares. ¿Tendo o mercado cambial demonstrado, em linhas gerais, melhora nas condições de liquidez, criaram-se circunstâncias que permitem ao BC voltar a ampliar suas reservas internacionais¿, explica o BC em nota. Exportadores e investidores são os principais responsáveis pelo retorno dos dólares ao Brasil.

Na nota, o BC insiste que a atuação não tem como objetivo criar um nível mínimo para as cotações do dólar. O BC diz que a ação deve ¿ser vista como um esforço de recomposição de reservas¿. ¿Não devendo ser confundida com o estabelecimento de outras metas para o BC, como a fixação de tetos ou pisos para a taxa de câmbio.¿

A volta das compras do BC aconteceu em dia de firme queda das cotações. Logo no início dos negócios, o dólar já caía 1%. No meio da tarde, foi anunciada a operação em que o BC comprou a moeda por R$ 2,0785.

Mas a intervenção que poderia reduzir a desvalorização teve efeito contrário: minutos após o leilão, o dólar aprofundou a queda para a mínima de R$ 2,066, recuo de 2,09%.

O recuo ainda mais acentuado pode ter relação com o baixo volume comprado pelo BC. O Banco Central não informa, mas as mesas de câmbio avaliaram como reduzido o montante adquirido. Talvez, citam alguns agentes, ¿algumas poucas dezenas ou uma centena de milhões de dólares¿. Como a compra foi pequena, muitos interessados em vender ficaram com os recursos na mão e, para se desfazer dos ativos, ofertaram a moeda com valor ainda mais baixo no mercado.

No texto para explicar a operação, o BC afirma que a ação de ontem nada mais foi que a retomada da estratégia de reforço das reservas internacionais.

Esse plano, diz a nota, é pautado ¿primordialmente pelas condições de liquidez existentes a cada momento¿. Para o professor da Fundação Getúlio Vargas, André Luiz Sacconato, a ação do BC é coerente com a função da autoridade monetária.

¿O BC tenta combater os efeitos negativos da queda ou alta muito rápida das cotações. Essas variações abruptas são ruins porque prejudicam o horizonte das empresas. Para a autoridade monetária, é importante suavizar esses movimentos¿, disse.