Título: China cobra tratamento de economia de mercado
Autor: Andrei Netto
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/05/2009, Economia, p. B7
O governo de Pequim espera que o Brasil cumpra o compromisso assumido em 2004 e reconheça formalmente a China como uma economia de mercado, segundo o vice-ministro de Relações Exteriores, Li Jinzhang. Em entrevista por escrito a jornais brasileiros, Li afirmou ainda que a China buscará acordos de livre comércio com países da América Latina, região na qual cresce a influência política e econômica do país asiático. Pequim tem tratados desse tipo com Chile e Peru e iniciou negociações com a Costa Rica. A seguir, trechos da entrevista:
ECONOMIA DE MERCADO
A parte chinesa espera que a parte brasileira cumpra e implemente o compromisso do reconhecimento completo de status de economia de mercado para a China, de modo a dar garantia política e criar melhores condições para aprofundar a cooperação econômico-comercial, a fim de promover e salvaguardar em conjunto o desenvolvimento estável e sadio do relacionamento econômico-comercial dos dois países.
AMÉRICA LATINA
Desde 2003, o presidente Hu Jintao já visitou três vezes a América Latina, e outros altos dirigentes realizaram também visitas ao continente. No período, 14 chefes de Estado de países latino-americanos visitaram a China. A partir de 2000, o volume de negócios entre as duas partes tem mantido o ritmo de expansão com uma média anual de 37,9%. Em 2008, o volume comercial entre China e América Latina chegou a US$ 143,4 bilhões, dez vezes maior que o registrado em 2000, e a China se tornou a segunda parceira comercial do continente.
INVESTIMENTOS
O investimento proveniente da China na América Latina tem-se ampliado. Conforme os dados divulgados pela parte chinesa, o investimento direto chinês na América Latina é de US$ 25 bilhões. Em 2008, até setembro, o investimento direto da China no setor não financeiro foi de US$ 530 milhões.
LIVRE COMÉRCIO
Até agora, a China assinou acordos de livre comércio com Chile e Peru e concluiu juntamente com a Costa Rica o estudo de viabilidade de livre comércio, e as negociações oficiais foram iniciadas em janeiro. No futuro, segundo o princípio de benefício mútuo, ganho compartilhado e desenvolvimento conjunto, a China continuará a promover, de forma positiva e adequada, o estabelecimento de zona de livre comércio com demais países latino-americanos.