Título: GM diz que terá US$ 1 bi para investir no Brasil até 2012
Autor: Silva,Cleide
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/06/2009, Economia, p. B7
Segundo o presidente da GM do Brasil, filial consegue tocar projetos com recursos próprios
Cleide Silva
O presidente da General Motors do Brasil e Mercosul, Jaime Ardila, afirmou ontem que a filial brasileira não será afetada pelo pedido de concordata da matriz nos Estados Unidos e informou que o programa de investimentos de US$ 2,5 bilhões para o período 2007-2012 está mantido. Desse montante, US$ 1,5 bilhão já está aprovado e a maior parte já foi gasta. A confirmação do US$ 1 bilhão restante deverá ocorrer nas próximas semanas.
"O investimento será feito com recursos próprios da GM do Brasil, sem ajuda da matriz", afirmou Ardila. "Temos geração de caixa e liquidez para fazer isso, mas ainda vamos decidir se haverá participação de bancos no futuro." No mercado financeiro, porém, há dúvidas sobre a capacidade da montadora para bancar esse custo.
De acordo com um analista que acompanha a situação da empresa no Brasil, que pede para não ser identificado, "a GM raspou o caixa e mandou tudo para a matriz e não teria de onde tirar esse dinheiro agora". Segundo essa fonte, é possível que o governo brasileiro esteja disposto a ajudar a companhia, assim como o governo americano está ajudando a matriz.
Segundo fontes ligadas ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a concessão de novos empréstimos à GM vai depender de pareceres jurídicos comprovando que a filial brasileira não será afetada pela concordata.
A montadora tem hoje dois financiamentos aprovados no banco de fomento e outros dois em fases iniciais de avaliação. Embora o banco tenha boa avaliação da GM do Brasil, a legislação impede o financiamento de empresas em concordata.
Os valores dos pedidos não podem ser divulgados por estarem protegidos por sigilo bancário. Um terceiro financiamento, de R$ 190 milhões, foi aprovado recentemente e não será afetado pela concordata.
Em entrevista na fábrica de São Caetano do Sul (SP), Ardila afirmou que o aporte de US$ 1 bilhão será destinado ao desenvolvimento de uma nova família de veículos que será lançada a partir de 2012, como parte do projeto de renovação de toda a linha de produtos da marca.
Do plano de US$ 1,5 bilhão já em andamento, quase 70% já foram gastos, parte no desenvolvimento da família por enquanto chamada de Viva e parte na fábrica de motores em construção em Joinville (SC). Ele anunciou que no último trimestre será lançado o primeiro produto da família Viva (um modelo Hatchback). Em 2009, serão mais três veículos.
"A maioria é de produtos desenvolvidos pela engenharia brasileira", disse Ardila. Apenas um modelo foi criado pela Opel, a divisão europeia da GM que teve 55% das ações adquiridas pela canadense Magna e pelo grupo russo Sberbank.
TECNOLOGIA
O presidente da GM do Brasil disse ainda que, apesar de pertencer à nova GM, cujo sócio majoritário será o governo americano, a operação chamada de Laam (que envolve a América Latina, África e Oriente Médio) e as demais unidades do grupo fora dos EUA não estão incluídas no processo de concordata.
A Laam registra lucros seguidos desde 2004, mas a filial brasileira só passou ao azul a partir de 2006. "A GM do Brasil, assim como as operações da China, Índia e Rússia são parte fundamental dos planos da GM e não estão à venda."
Ardila afirmou ainda que "pelo menos nos próximos cinco anos a GM do Brasil não vai precisar receber nem mandar ajuda aos Estados Unidos". A GM brasileira não importa nem exporta carros e autopeças para os EUA, apenas serviços tecnológicos nas áreas de carros pequenos, picapes e tecnologia de motores flex. "Em três anos, tivemos uma receita líquida de US$ 430 milhões com esses serviços."
Na campanha para descolar a unidade brasileira da matriz, o vice-presidente da GM, José Carlos Pinheiro Neto, fez ontem pronunciamento de um minuto em três redes de TV e hoje publica anúncios em vários jornais, falando do nascimento de "uma nova GM". Cita que a unidade brasileira continua a operar normalmente. "Lucrativa desde 2006, a empresa tem hoje situação financeira sólida que lhe permite manter todos os investimentos em curso."
COLABOROU NICOLA PAMPLONA