Título: Dilma visita obra e faz comício no DF
Autor: Mendes , Vannildo
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/06/2009, Nacional, p. A8

Em clima de campanha, com direito a comício e afagos populares, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apresentou ontem o balanço das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Distrito Federal e na região do Entorno, que compreende 19 municípios de Minas Gerais e Goiás situados nos arredores da capital do País.

Em companhia do governador José Roberto Arruda (DEM), a ministra visitou um conjunto habitacional construído com recursos federais em um assentamento na periferia de Brasília. Ali, Dilma inspecionou uma casa modelo e fez um discurso de improviso, com retórica típica de candidata. Ao final, foi saudada com gritos de "Dilma presidente" por um pequeno coro de simpatizantes recrutados pelos organizadores do evento.

No discurso, Dilma ressaltou o compromisso do governo com os mais pobres e não hesitou em explorar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu padrinho político. "Esse compromisso (com os pobres) vem do coração do presidente Lula, porque ele viveu a vida que vocês vivem, conheceu as dificuldades de vocês, sabe perfeitamente o que é não ter onde morar, não ter água encanada, esgoto ou energia."

ROTEIRO

Segundo a ministra, Lula não governa para os ricos - "mas para os pobres e os que mais precisam" - nem discrimina os adversários nas ações de Estado. "O presidente não escolhe os do seu partido para trabalhar, ele respeita o governador que o povo escolheu", enfatizou, ladeada pelo representante do DEM. O compromisso do governo, disse ela, "é o de construir um país mais justo para todos".

A festa foi cuidadosamente preparada pelo governador José Roberto Arruda e por um aliado discreto da ministra, o senador Gim Argello (PTB-DF). Essa é o terceiro evento que a ministra realiza para divulgar o programa e cobrar metas dos gestores regionais. Os primeiros foram realizados no Rio Grande do Sul, há um mês, e no Amazonas, pouco depois.

Dilma disse que, até setembro, terá visitado todas as 27 unidades da federação para fazer o balanço das obras nesse mesmo formato. Os próximos Estados visitados serão o Ceará, amanhã, e Rondônia, na sexta-feira.

CRISE

Otimista, ela disse que o Brasil "passou no teste do estresse" e superou o pior momento da crise econômica mundial, sem deteriorar as contas públicas e conseguindo a proeza de aumentar os investimentos.

"Temos de aproveitar a conjuntura favorável para reduzir os juros com estabilidade", enfatizou. "O Brasil não quebrou, não recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI), não parou obras nem deixou esqueletos inacabados", disse ela, numa referência às crises anteriores, em que o país sucumbiu na recessão e na falta de investimentos. "Desta vez, fomos parte da solução e não parte do agravamento da crise, como em épocas anteriores", lembrou.

Segundo Dilma, isso foi possível porque o governo soube minorar os problemas e construir soluções para sair da crise. Entre essas ações de Estado, citou a expansão do crédito, a redução dos juros e o maior volume de investimentos. Citou ainda a importância estratégicas de programas sociais, como o Bolsa-Família, a estabilidade política e econômica, a melhor distribuição de renda e a redução de tributos, inclusive do Imposto de Renda para a classe média.

A ministra previu que o Brasil terminará 2009 com um pequeno crescimento, entre 0,3% e 1%, e retomará de vez o ritmo de desenvolvimento em 2010, com índices que dependerão da evolução do PIB entre o terceiro e o quarto trimestre deste ano.