Título: ONU adota novas sanções contra a Coreia do Norte
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Fonte: O Estado de São Paulo, 13/06/2009, Internacional, p. A14
Resolução aprovada pelo Conselho de Segurança proíbe comércio de armas pesadas e determina vistoria de navios com carga para Pyongyang
O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou ontem por unanimidade um pacote de sanções contra o regime norte-coreano que inclui a proibição do comércio de armas pesadas e autoriza os 192 países-membros da organização a inspecionar cargas que tenham a Coreia do Norte como destino ou procedência.
As sanções são, até agora, a mais dura resposta da comunidade internacional ao teste nuclear realizado pelo regime de Kim Jong-il no dia 25. Desta vez, a decisão tomada pelo Conselho de Segurança recebeu apoio até mesmo da China e da Rússia, países que vinham se mostrando relutantes em afrontar o regime norte-coreano.
O embaixador chinês na ONU, Zhang Yesui, disse que a resolução mostra a "posição firme" da comunidade internacional contra as pretensões nucleares de Pyongyang, mas pediu a todos os países que tenham cautela ao pôr as medidas previstas no documento em prática.
"A força ou as ameaças não devem ser usadas em nenhuma circunstância", disse Yesui, defendendo que as inspeções marítimas e terrestres sejam feitas estritamente segundo as determinações do direito internacional para evitar uma escalada ainda maior das tensões entre o governo de Kim Jong-il e a comunidade internacional.
A resolução não autoriza o uso da força nas inspeções de navios suspeitos de transportar armas ou material que possa ser usado no programa nuclear para o regime norte-coreano, apenas determina que, caso alguma embarcação ofereça resistência à vistoria, deverá ser levada "a um porto conveniente para que a inspeção seja feita por autoridades locais".
Os EUA e o Japão concordaram ontem em endurecer as sanção contra a Coreia do Norte que os dois países vêm aplicando unilateralmente.
Na segunda-feira, a imprensa oficial norte-coreana já havia advertido que qualquer sanção imposta pelo conselho seria recebida como uma declaração de guerra e mereceria "medidas de autodefesa" como resposta. Um dia depois, Pyongyang aumentou ainda mais o tom de suas provocações e advertiu que usaria suas armas nucleares numa "ofensiva impiedosa", caso fosse provocado.
REINCIDÊNCIA
Em 2006, o conselho já havia adotado uma resolução contra a Coreia do Norte em resposta aos testes nucleares realizados em outubro. Além do embargo de armas, o documento proibia a venda de todo material que pudesse ser usado na construção de mísseis ou armas de destruição em massa, além de restringir a importação de artigos de luxo, o que afetou a elite ligada ao governo norte-coreano.REUTERS