Título: Produção de coca cresce no Peru e na Bolívia
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Fonte: O Estado de São Paulo, 20/06/2009, Internacional, p. A20

Estudo da ONU revela ?dramática redução? de 18% na Colômbia

EFE

Um relatório divulgado ontem pelo Escritório das Nações Unidas Contra as Drogas e o Delito (UNODC, na sigla em inglês) mostra mudanças na distribuição da produção da folha de coca e da cocaína na América Latina. Segundo a UNODC, em 2008, a produção de coca na Bolívia e no Peru aumentou 6% e 4,5% respectivamente, enquanto na Colômbia teve uma "dramática redução" de 18%, com a área plantada passando de 99 mil para 81 mil hectares.

Com base nesses números, a ONU também fez projeções para a produção de cocaína nesses países - considerando que em alguns deles a folha de coca também tem outros usos - como a tradição de mascá-la ou medicinal.

No Peru, a produção teria aumentado 4,1%, para 302 toneladas, o que significa que pode ter sido processada nesse país 36% da cocaína consumida no mundo (em 2007, a estimativa era de 29%). Na Bolívia, acredita-se que houve um aumento de 9% - representando uma produção de 113 toneladas.

Já a Colômbia, apesar de continuar a ser o primeiro fabricante mundial de cocaína, segundo a ONU, teve uma redução de 28% em sua produção, passando de 600 para 430 toneladas. "Há uma transferência da Colômbia para o Peru e a Bolívia", disse, em Bogotá o representante da UNODC, Aldo Lale-Demoz.

Ele explicou que, quando o cerco aos traficantes se fecha em um país, eles costumam procurar territórios mais vulneráveis - em uma menção ao Plano Colômbia (mais informações nesta página). "O caso do Peru é mais preocupante que o da Bolívia, porque lá há uma infiltração de cartéis internacionais, sobretudo mexicanos", completou Lale-Demoz.

Nos últimos anos, a droga no Peru tem impulsionado o renascimento do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso, que entre os anos 80 e 90 declarou guerra ao Estado peruano - e foi responsável por mais de 30 mil mortes. Hoje, é esse grupo que dá proteção para os produtores de droga principalmente no Vale dos Rios Apurimac e Ene.

"A demanda dos consumidores (de entorpecentes) aumentou consideravelmente na Europa, que se converteu em um dos principais destinos da produção peruana", afirmou Rómulo Pizarro, chefe da Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Vida sem Drogas (Devida), no Peru.

Pizarro chamou atenção para o fato de a colaboração dos EUA para o combate ao narcotráfico em seu país ter "diminuído consideravelmente nos últimos anos" e de Lima não contar com nenhuma ajuda europeia.