Título: Lula manda pagar servidores
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Fonte: O Estado de São Paulo, 04/07/2009, Economia, p. B3

Impacto de reajustes é de R$ 6 bi

Mesmo com a arrecadação abaixo do esperado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou a equipe econômica a pagar os reajustes salariais de parte do funcionalismo público que estavam programados para julho. Com eles, o crescimento das despesas com folha salarial será de R$ 6 bilhões, segundo o Ministério do Planejamento.

O governo cogitou adiar esses aumentos, diante da situação complicada das contas públicas. A arrecadação tributária de maio, no valor de R$ 49,8 bilhões, ficou 6,06% abaixo da registrada em maio de 2008. O montante é também cerca de R$ 3 bilhões menor do que o esperado pela equipe econômica para o mês.

No entanto, em reunião ontem da Junta Orçamentária, Lula mandou cumprir os acordos, após ouvir a avaliação da área econômica de que o quadro fiscal permite pagar os reajustes. Essa avaliação positiva é baseada, entre outros fatores, nas informações preliminares sobre a arrecadação de junho, que apontam para uma melhora em relação a maio.

Há entre os técnicos quem aposte que as receitas já começam a refletir um quadro de recuperação econômica. Ainda assim, a perspectiva é que, no total do ano, a arrecadação fique inferior, em termos reais, à de 2008. "Cumprir os acordos é uma decisão de governo", disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que participou da reunião. Também estavam presentes os titulares da Fazenda, Guido Mantega, e da Casa Civil, Dilma Rousseff.

O risco de adiamento dos reajustes colocou em alerta categorias importantes do funcionalismo, como os auditores (inclusive da Receita Federal), militares, funcionários do Banco Central, integrantes da Advocacia-Geral da União e diplomatas. Todos aguardavam aumento para este mês.

Os acordos já firmados elevarão os gastos com a folha salarial em R$ 10,5 bilhões este ano, segundo o Planejamento. Para 2010, o impacto previsto é de R$ 14 bilhões. No ano seguinte, o primeiro do sucessor de Lula, a conta será ainda mais salgada: R$ 16,1 bilhões. Em 2012, será de R$ 9,1 bilhões.

Bernardo rebateu acusações de que os aumentos têm caráter eleitoreiro. "A oposição fala da boca para fora", disse. Ele lembrou que os aumentos passaram pelo crivo do Congresso Nacional e foram aprovados "por unanimidade". Ele acrescentou que recebeu telefonemas de parlamentares da oposição pedindo uma solução rápida para os aumentos dos servidores. "Não acreditem muito neles, não", recomendou.