Título: Médico vê limite em internação e terapia
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/07/2009, Vida&, p. A15

Profissional relata obstáculos na obtenção de leitos e de remédio

Fabiane Leite

Infectologista em três hospitais de São Paulo - dois públicos e um privado -, Vinícius Ponzio da Silva relata a limitação de leitos de isolamento em UTIs e dificuldades para obter medicamentos, mesmo quando a equipe médica defende seu uso.

Ontem mesmo, em uma unidade de referência, Silva e equipe definiram que um paciente transplantado, com sete dias de sintomas de gripe e insuficiência respiratória, deveria receber medicamento. Mas a Vigilância Epidemiológica ainda discutia o caso quando deixou a unidade. "A nossa opinião é que (o remédio) ainda poderia ter efeito", afirmou o especialista.

Os medicamentos, relata o profissional, só são dispensados após detalhada análise da vigilância local. O protocolo do ministério define ainda prazo de 48 horas após os sintomas para a administração do antiviral oseltamivir, mas nem todos os profissionais concordam com a limitação.

Segundo a infectologista Nancy Bellei, da Universidade Federal de São Paulo, o limite de 48 horas é questionável. "No Chile, em caso de febre e tosse estão dando o remédio. Na Austrália, se o paciente não melhora, pode ser após 48 horas." O Ministério da Saúde destacou em nota que os protocolos foram elaborados após discussão com a comunidade médica.

Em um outro local em que trabalha, um pequeno hospital particular, Silva e equipe passaram por outra dificuldade, quando receberam dois pacientes graves, necessitando de UTI, mas havia apenas um leito de isolamento disponível na terapia intensiva. Casos prováveis da nova doença em tese não podem dividir o quarto com outros doentes, para não contaminá-los, segundo o protocolo do ministério. O infectologista buscou a ajuda de outros colegas e da vigilância . No fim, um dos pacientes, que já estava com nove dias de sintomas e teoricamente não estaria mais transmitindo a doença, foi dividir o leito com outros doentes na UTI. E o isolamento foi destinado para uma grávida, que recebeu remédio no prazo adequado, destaca Silva. "A impressão dos infectologistas clínicos é que estão chegando muitos pacientes com critério para internação. Todos os hospitais estão com dificuldades para pacientes graves, que necessitam de isolamento."