Título: Petrobras e PDVSA acertam acordo
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/08/2009, Economia, p. B7
Refinaria de Pernambuco pode ficar pronta em 2011
Kelly Lima, RIO
A Petrobrás e a petroleira estatal venezuelana PDVSA eliminaram os obstáculos e conseguiram chegar a um acordo para investir em parceria na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Segundo o diretor de Abastecimento da estatal brasileira, Paulo Roberto Costa, a expectativa é de que o contrato seja assinado no próximo encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o venezuelano Hugo Chávez, em setembro.
Na ocasião, a Venezuela vai aportar ao menos R$ 800 milhões referentes ao que a Petrobrás gastou na unidade até 31 de dezembro de 2008. Costa salientou que o valor apurado por uma auditoria no fim do ano passado deverá ser atualizado até agosto. Até agora, a Petrobrás investiu R$ 3,5 bilhões.
O diretor disse que o valor previsto inicialmente para a refinaria, de US$ 4 bilhões, "vai certamente aumentar". "A previsão era de três anos atrás e muita coisa mudou."
A PDVSA cedeu nos dois principais pontos que emperravam o acordo: o preço do petróleo importado da Venezuela, que será processado na unidade, e a intenção da companhia de obter privilégios para atuar diretamente no mercado consumidor do Nordeste.
De acordo com Costa, a PDVSA concordou em seguir as regras do mercado brasileiro para a distribuição de combustíveis e aceitou ter como preço pago pelo seu petróleo o valor do barril cotado no mercado internacional.
Antes, a PDVSA pleiteava o acréscimo de um fator X sobre o preço final para elevar o valor do seu produto. O acordo garantiu que fossem mantidos tanto o prazo para o início das operações, no primeiro trimestre de 2011, quanto a participação das empresas nas porcentagens previstas anteriormente, de 60% para a Petrobrás e 40% para a PDVSA. A unidade vai processar 230 mil barris por dia.
COMPERJ
Também deve sofrer revisão para cima a previsão inicial dos investimentos de US$ 8,5 bilhões do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que deverão ser reajustados por conta de aumentos nos preços de equipamentos e de serviços.
Segundo Costa, o cronograma do Comperj está correndo "normalmente, apesar dos quatro dias de paralisação da obra há duas semanas". O diretor afirmou que a estatal está renegociando o contrato com os empreiteiros responsáveis pela obra em razão do excesso de chuvas ocorrido este ano.