Título: Poupança tem captação recorde
Autor: Nakagawa, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/08/2009, Economia, p. B1

Os depósitos voltaram a superar os saques na poupança em julho, resultando num novo recorde de captação. Dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC) mostram que houve captação líquida de R$ 6,67 bilhões, o melhor julho da caderneta desde 1994. Os depósitos somaram R$ 89,93 bilhões e os saques, R$ 83,26 bilhões.

Esse desempenho não decorre da migração de outras aplicações porque também houve captação nos fundos de investimento e nos Certificados de Depósito Bancários (CDBs). Mas mostra que a caderneta pode estar se transformando na opção preferida dos brasileiros que não abrem mão de aplicações conservadoras. Os fundos de renda fixa, por exemplo, captaram R$ 1,5 bilhão no mês.

Em julho, a poupança apresentou resultado positivo pelo terceiro mês seguido. No trimestre, as aplicações superaram as retiradas em R$ 10,64 bilhões. O desempenho foi mais que suficiente para anular os quatro primeiros meses do ano, que tiveram saída de R$ 1,52 bilhão. Em 31 de julho, o saldo somado de todas as contas da poupança era de R$ 290,3 bilhões.

A recuperação da poupança coincide com a reação da economia. Nos últimos meses, os indicadores de emprego e renda melhoraram, o que eleva a capacidade de poupar. "A crise acalmou e as contratações voltaram. Historicamente, a melhora do mercado de trabalho tem relação direta com a capacidade de poupar", diz o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Fábio Gallo.

Para o especialista, a memória recente da crise faz que com esses novos trabalhadores sejam bastante comedidos nos gastos. "As pessoas estão mais cautelosas. A lembrança do que aconteceu no fim do ano passado impede o consumismo desenfreado e favorece a poupança, seja na caderneta ou em outras opções, como os fundos de investimento."

Números apresentados nos últimos dias mostram que as principais aplicações receberam aportes. Em julho, os fundos de investimento tiveram captação positiva de R$ 30,39 bilhões, segundo a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). Nos CDBs, o estoque aumentou R$ 14,7 bilhões, segundo a Câmara de Custódia e Liquidação (Cetip).

Juntos, esses dados afastam, ao menos por ora, a hipótese da migração de recursos causada pela queda dos juros. No governo, havia o temor de que a Selic mais baixa tirasse competitividade dos títulos públicos - principal investimento dos fundos - e houvesse migração em massa para a caderneta.

"Podemos até ter uma mudança dos fundos para a poupança, mas é marginal. O número dos fundos mostra que não está acontecendo a temida migração maciça", diz um diretor de um grande banco de varejo. Segundo ele, clientes não mudaram porque os bancos começaram a baixar as taxas de administração. Há, ainda, temor do pequeno investidor de que o governo possa taxar a caderneta.