Título: Qualidade de crédito chegou a preocupar Mantega
Autor: Modé, Leandro
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/08/2009, Economia, p. B4
Ao receber os dados sobre o crescimento do crédito do Banco do Brasil (BB) do presidente da instituição, Aldemir Bendine, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, mostrou preocupação com a qualidade das operações realizadas pela instituição, segundo relato de uma fonte à Agência Estado. Bendine apresentou os dados indicando que o crescimento foi em financiamentos de boa qualidade (categorias A até C), ou seja, com baixo risco de calote.
Com essa informação, Mantega pode faturar o resultado do lucro do banco e ainda espezinhar o setor privado, que questionava a sustentabilidade da política de crédito das instituições federais. O ministro disse ontem que a estratégia dos bancos públicos de ampliar o crédito, durante a crise, baixando as taxas de juros, foi bem-sucedida e as instituições privadas deveriam seguir o exemplo do BB - "se não, vão comer poeira" e perder mercado.
Na reunião com o presidente do Banco do Brasil, Mantega reforçou o recado de que a instituição tem de atuar para aumentar a competição no mercado bancário e essa responsabilidade só cresce com a retomada da liderança pelo BB no ranking de maiores bancos.
Mantega também determinou que o banco seja mais agressivo na oferta de crédito em segmentos específicos, como o de financiamento automotivo. O ministro passou o recado de que os juros praticados por BB e pelo Votorantim, do qual o banco estatal é sócio, podem ser mais competitivos, estimulando o desenvolvimento do mercado, especialmente de carros usados, que ainda patina por causa dos efeitos da crise.
A atuação mais agressiva dos bancos públicos na concessão de crédito fez parte da estratégia do governo para combater os efeitos da crise global na economia brasileira. O governo entende ainda que o papel dos bancos públicos, não somente o BB, é decisivo no esforço prioritário do governo de reduzir os spreads bancários (que é a diferença entre o custo de captação e o juro cobrado no crédito ao consumidor final).
Esse entendimento não é só do Ministério da Fazenda, mas também do Banco Central. O governo avalia que não dispõe de muitos instrumentos para derrubar os juros de mercado e o estímulo à competição pelos bancos públicos é o melhor caminho para o resultado.