Título: MST e centrais protestam contra crise
Autor: Mendes, Vannildo
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/08/2009, Nacional, p. A10

Houve atos em 23 Estados e, para evitar invasão de prédios públicos, governo montou forte esquema em Brasília

Com uma marcha de mais de dez quilômetros pela Esplanada dos Ministérios e Eixo Monumental, cerca de 4 mil manifestantes do Movimento dos Sem-Terra (MST), Via Campesina, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e organizações sociais encerraram ontem a jornada de lutas por reforma agrária e contra a crise econômica.

Para evitar tumultos e invasões de prédios públicos, como nos dias anteriores, o governo montou forte esquema de segurança em torno dos ministérios, com tropa de choque e grupo de cavalaria da Polícia Militar. Não houve incidentes.

A direção do MST informou que em 23 Estados, além do DF, houve marchas e manifestações ontem. Em Brasília, cerca de 3 mil militantes vindos de diversas regiões permanecerão em vigília até a próxima terça-feira, num acampamento montado no estacionamento do estádio Mané Garrincha, aguardando o desfecho das negociações abertas com o governo na última quarta-feira, após a invasão do Ministério da Fazenda.

O movimento quer a retomada dos assentamentos, que estariam paralisados desde o final do ano passado, com o agravamento da crise econômica, o descontingenciamento de R$ 800 milhões do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a revisão do índice de produtividade rural para fins de desapropriação de terras. O governo formou uma comissão negociadora com representantes dos ministérios da Fazenda, Desenvolvimento Agrário, Planejamento e Casa Civil.

O MST decidiu em Brasília permanecerá em vigília até uma nova reunião marcada para terça-feira.

INVASÃO

Em Campo Grande, depois de uma semana de marcha pelo interior de Mato Grosso do Sul, 800 militantes do MST chegaram ontem pela manhã na capital e ocuparam o estacionamento e a frente do prédio do Incra.

Os sem-terra foram acompanhados por grupos indígenas, misturando bandeiras vermelhas com penas coloridas dos cocares. As reivindicações foram fundidas em um único documento.

Em Curitiba, o trânsito ficou bastante conturbado com a manifestação organizada pelas centrais sindicais e pelo MST. O grupo, estimado pelos organizadores em cerca de mil pessoas, saiu da Praça Santos Andrade, em frente à Universidade Federal do Paraná, no centro da cidade, circulou pelo Bairro Rebouças, para um protesto em frente à administração dos Correios, e retornou ao centro, na Boca Maldita, onde o movimento foi desfeito.