Título: Funcionários dos Correios entram em greve hoje
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Fonte: O Estado de São Paulo, 16/09/2009, Economia, p. B10
Paralisação em todo País, decidida ontem à noite, é por reposição salarial de 41,03%, correspondentes a perdas ocorridas desde agosto de 1994
Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) de todo o Brasil entraram em greve por um período indeterminado. A decisão foi divulgada ontem à noite, em assembleia que contou com a adesão de 28 dos 35 sindicatos filiados à Federação Nacional dos Trabalhadores em Correios (Fentect), até o fechamento desTa edição.
Para consolidar a greve, seria necessário um mínimo de 18 sindicatos a favor, o que ocorreu já por volta das 20h30. Em Brasília, por exemplo, os 300 membros do sindicato que participavam da assembleia votaram a favor da paralisação.
Os trabalhadores reivindicam reposição salarial de 41,03%, que corresponde a perdas ocorridas desde agosto de 1994. Também querem aumento linear de R$ 300 no piso salarial. Além das questões salariais, também são reivindicadas segurança armada e portas giratórias nas agências que funcionam como banco postal.
As negociações entre Fentect e Correios tiveram início em 1º de agosto, mas desde então não houve avanços na pauta de reivindicações. A ECT já havia apresentado uma proposta anteriormente, concedendo 4,5% de reajuste salarial, mais R$ 0,90 de acréscimo no vale refeição.
Cláudia Valente, assessora de Imprensa da ECT, lamentou a greve. "É um momento inoportuno por causa do voto de confiança dado pelo Congresso em não por fim ao monopólio dos Correios", afirma Cláudia. A empresa não chegou a apresentar uma nova proposta na assembleia de ontem para tentar impedir a paralisação.
Segundo uma fonte do governo, a empresa chegou a fechar uma proposta com os sindicatos, mas foi vetada pelo Ministério do Planejamento. Pela proposta, seria concedido aumento de 9%, que valeria por dois anos, mais um acréscimo linear de R$ 100,00 sobre o piso salarial da categoria (R$ 640,00) a partir de janeiro de 2010. Também haveria um reajuste no vale-alimentação, que passaria de R$ 20,00 para R$ 21,50.
A estimativa é que 60% dos funcionários de todas as agências do País cessem as atividades a partir da zero hora de hoje, segundo Ronaldo Pereira Martins, diretor do Comando de Negociação e Mobilização da Fentect. "Os transtornos provocados pela greve vão afetar a população, mas a Fentect não cederá até que um novo acordo seja proposto", disse.