Título: Empresas brasileiras mudam foco na China e buscam o mercado local
Autor: Landim, Raquel
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/09/2009, Economia, p. B13

Crise global reduz mercado para exportações, e empresas têm de aprender a conquistar o cliente chinês

PEQUIM E XANGAI

A crise financeira global está exigindo uma mudança de rota para as empresas brasileiras que se estabeleceram na China. Ao invés de apenas utilizar o país asiático como plataforma de produção barata e exportação para o restante do mundo, os executivos que vivem em Pequim e Xangai agora têm de aprender a conquistar o mercado local.

Com a ajuda dos bilhões de dólares que o governo chinês despejou na economia para combater a turbulência, o consumo de produtos manufaturados no país segue em alta. O caminho mais lógico para as empresas brasileiras que já estão na China é deslocar as vendas, que antes eram feitas na Europa, Estados Unidos ou no resto da Ásia, para o mercado interno. Mas a tarefa não é tão fácil assim.

A Weg, fabricante de motores elétricos, possui uma fábrica na cidade de Nantong, próxima a Xangai. Do total produzido pela unidade, 30% é destinado ao mercado chinês e 70% para os demais países da Ásia. De acordo com informações da companhia, o objetivo agora é inverter os porcentuais no ano que vem ou, no máximo, até 2011.

Ao chegar no país em 2005, após adquirir uma planta que pertencia à chinesa Weifu Electric Moto, a Weg se dedicou a atender antigos clientes no Japão e na Austrália. Agora começou a se arriscar no mercado chinês, onde conta com dois trunfos para ser bem sucedida: o bom desempenho do setor de infraestrutura na China, ramo em que estão os principais clientes da empresa; e a disposição do governo chinês em reduzir o consumo de energia do país. A Weg é uma das empresas que produzem os motores elétricos mais econômicos.

REDUÇÃO

Vizinha à fábrica da Weg em Nantong, está a fábrica da Maxion. A fabricante de rodas para veículos pesados, cujo capital é 100% brasileiro, começou a operar sua unidade no país asiático em julho de 2008. Boa parte da produção estava sendo direcionada para a Rússia, mercado que sofreu um forte impacto com a crise. As vendas despencaram e a Maxion, que estava operando em três turnos na China, teve de reduzir a produção.

Agora, segundo informações oficiais da empresa, a Maxion decidiu "voltar as baterias" para o mercado chinês. A mudança de foco não é simples, porque o setor automotivo é muito controlado pelo governo no país asiático e os fabricantes chineses de rodas são muito competitivos em preço. Mesmo assim, a empresa espera realizar sua primeira venda na China ainda este