Título: Sérgio Cabral se exalta em jantar com Lula
Autor: NOSSA,LEONENCIO;DOMINGOS,JOÃO; GOY ,LEONARDO
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/09/2009, Economia, p. B8
Governador precisou ser contido
Momentos de forte tensão e alguns de grande descontração, com gargalhadas e até juras de amizade eterna, marcaram a reunião dos governadores Sérgio Cabral (RJ), José Serra (SP) e Paulo Hartung (ES) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros de Minas e Energia, Edison Lobão, e da Defesa, Nelson Jobim, na noite do domingo, no Palácio da Alvorada.
Cabral alterou momentos de nervosismo e risos. Em dado momento, chegou a elevar o tom de tal forma que o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), se viu obrigado a retirá-lo da mesa. Indagado na cerimônia de lançamento do marco regulatório do pré-sal, ontem, se havia perdido a linha no jantar, Cabral comentou: "Só fiquei nervoso na sexta-feira, quando o Vasco perdeu por 2 a 0 para o Ceará".
Depois, disse que o resultado foi bom para os Estados produtores. "Foi bom, foi bom. Não mexeu com o pagamento dos royalties nem com a cobrança das participações especiais (PEs) das empresas". Essas participações são cobradas das companhias que exploram poços altamente produtivos.
Cabral chegou a se exaltar com o ministro Edison Lobão por conta do pagamento dos royalties. Mas Lobão lembrou a ele que o Estado do Rio deverá receber R$ 11 bilhões neste ano e que não seria prejudicado de forma nenhuma. O valor, de acordo com Lobão, deverá dobrar até 2020. Um auxiliar do presidente admitiu que Lula não esperava tamanha pressão.
Mas, se de um lado havia o tom agressivo de Cabral, de outro, o presidente Lula mostrava bom humor. Fez piadas e brincadeiras, de acordo com um auxiliar. Lula havia se preparado com números para enfrentar a fúria dos governadores.
Foi mostrado a Cabral que o Espírito Santo e os municípios capixabas receberam, juntos, R$ 253 milhões em royalties no ano passado, e que o governo do Rio e seus municípios produtores ficaram com R$ 2,26 bilhões.
Paulo Hartung lembrou que o ressarcimento aos Estados produtores está previsto na Constituição e que a ideia de um rateio igualitário entre os Estados é inconstitucional. E foi apoiado pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim.
Até José Serra, que chegou dizendo que ouviria muito e falaria pouco, defendeu a compensação aos produtores. A tese discutida foi a de que, se o Rio perder a perspectiva futura do petróleo, perderá "a última janela para se reestruturar".
Segundo uma fonte, o clima fez Lula sentir o tamanho do problema político que a divisão dos royalties produziria. Percebeu que sua candidata, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), não teria condições de fazer campanha no Rio, caso insistissem na tese. Sem saída, Lula desistiu do modelo inicial. Foi a solução para sair da briga e jogar o conflito para o Congresso.