Título: Preço do barril é decisivo para aporte na Petrobrás
Autor: Dantas, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/09/2009, Economia, p. B4

Para analistas do setor, a fixação do preço pode mudar a disposição[br]dos acionistas minoritários de acompanhar a capitalização da estatal

A definição do preço que a Petrobrás terá de pagar pelos 5 bilhões de barris do petróleo do pré-sal é vista por gestores de recursos e analistas do setor como decisiva para determinar se a capitalização da estatal será positiva ou negativa para os investidores minoritários. Em última instância, a fixação desse preço pode interferir até na disposição dos minoritários de acompanhar o aporte de capital da União.

Pelo esquema de capitalização anunciado segunda-feira, a Petrobrás pagará pelo direito de explorar o pré-sal até o limite de 5 bilhões de barris, o que será acompanhado por um aporte de recursos da União do mesmo valor. Como explica Bernardo Werther, gestor de ações do grupo Opus e especialista em petróleo e gás, "quanto menor for a avaliação, maior será o potencial de ganho da Petrobrás".

O problema, ele continua, é a enorme dispersão de preços que estão sendo citados para a compra dos direitos de exploração dos barris de petróleo, que vão de US$ 2,5 a US$ 10. Essa variação significa também uma grande incerteza sobre o tamanho da capitalização pela União, que poderia ir de US$ 12,5 bilhões a US$ 50 bilhões.

Como a avaliação dos barris tem grandes implicações para a lucratividade futura da Petrobrás, existe uma forte preocupação sobre como aquele preço será fixado. "Será que o governo vai aprovar algo que é de interesse dele ou vai deixar o minoritário julgar o que seja adequado em termos de preço", indaga Werther. "Para não dar o sinal errado ao mercado e não ser considerado um potencial mau sócio, o governo terá de conduzir com muito cuidado e critério esse processo."

Na verdade, o governo já busca dar garantias ao minoritário ao definir que o valor do barril será determinado por uma empresa independente, num prazo de até 12 meses, e haverá uma cláusula de reavaliação do preço no prazo máximo de 24 meses após a fixação. Se a reavaliação indicar um preço maior, a Petrobrás ressarci a União, e vice-versa.

Ainda assim, há quem alimente suspeitas de que a instituição que fará a avaliação pode se inclinar a atender aos desejos do governo, especialmente se tiver em mira outros negócios que podem surgir na montagem da megacapitalização.