Título: Papel do governo é de mãe
Autor: Moraes,Marcelo de
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/09/2009, Economia, p. B6

Lula diz que Congresso não vai cortar ganhos dos Estados

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem acreditar que o Congresso Nacional não vai reduzir os ganhos dos Estados produtores de petróleo na camada pré-sal. Também comentou que o regime de urgência dos quatro projetos de lei enviados ao Congresso não vai dificultar sua tramitação, apesar de a oposição ter estimado em dois anos o trâmite. Para o presidente, o papel do governo nas discussões do pré-sal equivale ao de uma "mãe".

"O papel do governo é como o de uma mãe. Tem que tratar todos com muito carinho, com muito amor. Não deixar faltar nada para ninguém", comparou Lula. "E jamais uma mãe iria descobrir um filho para cobrir outro. O que nós precisamos é, ou aumentar esse cobertor, ou colocar todo mundo mais juntinho para que todo mundo cresça com a caloria adequada desse dinheiro que é uma dádiva de Deus que foi dada ao nosso País."

Para ele, apesar de os projetos de lei preverem um tratamento diferenciado aos Estados produtores, todos merecem igual atenção e não há com o que se preocupar. "Não acredito que tenha dentro do Congresso Nacional alguém que tenha na cabeça a ideia de diminuir os ganhos que os Estados estão tendo hoje", afirmou Lula, após participar do encerramento do 27º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Vitória (ES).

O regime de urgência foi um pedido unânime dos líderes dos partidos da base, enfatizou Lula. "Agora está no Congresso Nacional e a bola é do Congresso Nacional. A vez é do Congresso Nacional. Quem sou eu, um mísero presidente para ter qualquer interferência no debate?", brincou.

Sobre a estimativa da oposição de que a tramitação dos projetos de lei pode levar até dois anos, Lula lembrou que foi da oposição e sabe como ela pensa. "Fui oposição há muito tempo. Eu acho que quem é oposição está sempre achando que as coisas não têm que dar certo, estão sempre achando que as coisas vão demorar, porque eles acham que se não acontecer quem perde é o governo. Eu acho que se não acontecer quem perde é o povo brasileiro."

Para Lula, a capitalização da Petrobrás é necessária pela importância da estatal dentro da indústria mundial de petróleo. O presidente, porém, não comentou se a atual participação do governo na estatal, de 32%, poderia aumentar após o processo.