Título: Pentágono pede mais tropas no Afeganistão
Autor: Mello,Patrícia Campos
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/09/2009, Internacional, p. A22

Em relatório a Obama vazado à imprensa, comandante afirma que, sem novos soldados em até um ano, EUA perderão luta contra a insurgência O principal comandante americano no Afeganistão, general Stanley McChrystal, afirmou em um relatório secreto que os EUA correm o risco de perder a guerra se não enviarem mais soldados ao país.

No documento - que foi entregue ao presidente Barack Obama no dia 30 e vazou para o jornal Washington Post -, McChrystal diz que os aliados precisam virar o jogo em 12 meses, sob o risco de não ser mais possível derrotar o Taleban. "Se não revertermos o ímpeto dos insurgentes no curto prazo (12 meses) - enquanto as forças de segurança afegãs estão amadurecendo -, nos arriscamos a não conseguir mais derrotá-los."

Apesar do relatório, a Casa Branca continuou firme ontem em sua convicção de resistir a pressões pelo envio de mais tropas a território afegão. "Nós vamos concluir a análise estratégica antes de tomar decisões sobre recursos adicionais, e não o contrário", disse o porta-voz de Obama, Robert Gibbs.

O general McChrystal ainda vai enviar um pedido formal de mais tropas, especificando o número de soldados que ele acredita ser necessário. Segundo algumas fontes, o número deve ficar entre 20 mil e 50 mil soldados adicionais.

APOIO A KARZAI

Em seu relatório de 66 páginas, McChrystal diz ser essencial conquistar o apoio da população afegã, reduzindo a hostilidade contra o governo do presidente Hamid Karzai e as forças estrangeiras.

O general é bastante crítico em relação ao governo de Cabul, que qualifica de corrupto e tão perigoso para a missão dos aliados quanto os insurgentes. Mas ele não é totalmente pessimista. "Apesar de a situação ser séria, ainda é possível ter sucesso", diz McChrystal.

A situação de Obama é delicada. Legisladores democratas não querem uma escalada do envolvimento americano no Afeganistão. A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, disse na semana passada que "não existe muito apoio para mandar mais soldados para o Afeganistão, nem no país nem no Congresso".

O próprio Obama vem mostrando relutância. "Não vou mandar mais nenhum homem ou mulher para o Afeganistão até ter certeza de que temos a estratégia certa", disse ele na rede de TV NBC no domingo.

Mas militares veem-se em uma situação semelhante à vivida no Iraque antes da escalada de tropas, quando diziam ser necessário ter mais soldados para vencer a insurgência, mas enfrentavam a relutância dos civis no Pentágono e na Casa Branca. Além de McChrystal, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Mike Mullen, pediu reforços.

GOVERNANÇA

No relatório, o general afirma que os soldados da Otan precisam ter mais contato com os afegãos para conquistar sua confiança e pede mais atividades de construção de nação, para melhorar a governança.

Mas, na Casa Branca, há uma discussão sobre o rumo a seguir agora: reduzir o escopo da missão no Afeganistão, focando mais em matar líderes da Al-Qaeda, ou manter a construção de nação, ganhar confiança da população local e conquistar membros moderados do Taleban.