Título: Personalismo motiva críticas
Autor: COSTAS, RUTH
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/09/2009, Internacional, p. A12
Para analistas, ânsia de poder aproxima Uribe de Chávez
A aliança com os EUA e a defesa do liberalismo econômico colocam o presidente colombiano, Álvaro Uribe, ideologicamente no extremo oposto do presidente venezuelano, Hugo Chávez. Mas, com a aprovação no Congresso do projeto de referendo que lhe permitiria obter um terceiro mandato, crescem na Colômbia as críticas dos que veem semelhanças entre o modelo do líder colombiano e o do seu maior rival na região.
"Tanto Uribe quanto Chávez promovem modelos personalistas, nos quais os partidos são instituições secundárias e o que vale é o contato direto do líder com a população", diz o cientista político Carlos Medina, da Universidade Nacional da Colômbia. "O fato de Uribe querer estender seu mandato além do que permite a atual Constituição - como fez Chávez - apenas reforça a comparação."
Da mesma forma que Chávez, lembra Medina, Uribe participa nos fins de semana de reuniões com conselhos comunitários - transmitidas por rádio e TV. Ouve queixas e cobra resultados de seus assessores. O líder colombiano também tem um estilo impulsivo e centralizador - é pouco tolerante às críticas, motivo de brigas com jornalistas e juízes. Além disso, comparte com o venezuelano uma ânsia de consolidar seu legado - no caso de Uribe, a política de "segurança democrática".
Foram os resultados dessa política que fizeram com que Uribe passasse relativamente incólume por uma série de escândalos políticos desde que chegou ao poder. Nos últimos anos, parlamentares aliados do presidente colombiano foram presos por associação com grupos paramilitares e por aceitar suborno do governo para aprovar a primeira reeleição.
Recentemente, Uribe passou por outro terremoto político com a revelação de que a inteligência colombiana - que responde à presidência - realizou escutas ilegais para ouvir conversas de juízes, jornalistas, membros de ONGs, congressistas e até de candidatos presidenciais. "A população colombiana perdoa em Uribe o que em muitos países parece imperdoável porque ele conseguiu grandes avanços no tema da segurança, crítico para o país", diz Elisabeth Ungar, diretora do projeto Congresso Visível da Universidade dos Andes.
Antes de Uribe chegar ao poder, os colombianos evitavam viajar pelo país porque os sequestros nas estradas eram frequentes e não raro havia atentados das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em Bogotá. Para se ter uma ideia, no dia em que Uribe tomou posse, em agosto de 2002, um ataque com mísseis nas imediações do Congresso, onde ocorreu a cerimônia, matou 19 pessoas. Hoje, o policiamento é ostensivo e há o inconveniente das revistas. Mas pode-se caminhar com mais tranquilidade pelas ruas de Bogotá. COMENTÁRIOS Comente tambémTodos os comentários Busca Patrocinado por:
-------------------------------------------------------------------------------- VOCÊ PODE Enviar por e-mailImprimirFale com a RedaçãoX ComentarIncluir no Arquivo Virtual
12:08Na ONU, Obama defende 'nova era de compromissos'12:00Na ONU, Lula exige volta de Zelaya à Presidência de Honduras11:55McCain pede mais tropas dos EUA no Afeganistão11:45Obama estuda estratégia alternativa para Afeganistão11:43Lula é aplaudido ao defender reintegração de ZelayaVeja a lista completa
Anúncios Google Oferta Dell Inspiron 15 Notebook c/ 3GB Roteador HD320 e Webcam em 12x! Com Tecnologia Intel www.dell.com/br/Notebook Passagens Varig por R$ 96 Compre Passagens Aéreas Varig com Descontos Exclusivos no Submarino. SubmarinoViagens.com.br/VARIG Novo ENEM - Guia Prático 4 guias práticos para desvendar o Enem. Único compatível com a prova. www.novoenem.org.br Consulta CPF/CNPJ Online Pendências, Cheques e Protestos. Serviço somente para empresas. www.CCFacil.com.br
Para analistas, ânsia de poder aproxima Uribe de Chávez
Ruth Costas Tamanho do texto? A A A A A aliança com os EUA e a defesa do liberalismo econômico colocam o presidente colombiano, Álvaro Uribe, ideologicamente no extremo oposto do presidente venezuelano, Hugo Chávez. Mas, com a aprovação no Congresso do projeto de referendo que lhe permitiria obter um terceiro mandato, crescem na Colômbia as críticas dos que veem semelhanças entre o modelo do líder colombiano e o do seu maior rival na região.
"Tanto Uribe quanto Chávez promovem modelos personalistas, nos quais os partidos são instituições secundárias e o que vale é o contato direto do líder com a população", diz o cientista político Carlos Medina, da Universidade Nacional da Colômbia. "O fato de Uribe querer estender seu mandato além do que permite a atual Constituição - como fez Chávez - apenas reforça a comparação."
Da mesma forma que Chávez, lembra Medina, Uribe participa nos fins de semana de reuniões com conselhos comunitários - transmitidas por rádio e TV. Ouve queixas e cobra resultados de seus assessores. O líder colombiano também tem um estilo impulsivo e centralizador - é pouco tolerante às críticas, motivo de brigas com jornalistas e juízes. Além disso, comparte com o venezuelano uma ânsia de consolidar seu legado - no caso de Uribe, a política de "segurança democrática".
Foram os resultados dessa política que fizeram com que Uribe passasse relativamente incólume por uma série de escândalos políticos desde que chegou ao poder. Nos últimos anos, parlamentares aliados do presidente colombiano foram presos por associação com grupos paramilitares e por aceitar suborno do governo para aprovar a primeira reeleição.
Recentemente, Uribe passou por outro terremoto político com a revelação de que a inteligência colombiana - que responde à presidência - realizou escutas ilegais para ouvir conversas de juízes, jornalistas, membros de ONGs, congressistas e até de candidatos presidenciais. "A população colombiana perdoa em Uribe o que em muitos países parece imperdoável porque ele conseguiu grandes avanços no tema da segurança, crítico para o país", diz Elisabeth Ungar, diretora do projeto Congresso Visível da Universidade dos Andes.
Antes de Uribe chegar ao poder, os colombianos evitavam viajar pelo país porque os sequestros nas estradas eram frequentes e não raro havia atentados das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em Bogotá. Para se ter uma ideia, no dia em que Uribe tomou posse, em agosto de 2002, um ataque com mísseis nas imediações do Congresso, onde ocorreu a cerimônia, matou 19 pessoas. Hoje, o policiamento é ostensivo e há o inconveniente das revistas. Mas pode-se caminhar com mais tranquilidade pelas ruas de Bogotá.