Título: Governadores do Nordeste brigam pelo pré-sal
Autor: Rosa,Vera;Moraes,Marcelo de
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/09/2009, economia, p. B4
No dia 10, em Fiortaleza, haverá reunião para unificar o discurso em defesa da partilha entre todos
A discussão sobre os royalties do pré-sal se transformou numa disputa entre governadores de Estados produtores e não produtores de petróleo que dominou, ontem, o debate em uma cerimônia para a liberação de recursos para saneamento em vários Estados. A guerra foi deflagrada pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que encerrou um discurso defendendo uma divisão igualitária, avisando que "vai para a luta no Congresso".
O governador do Rio, Sérgio Cabral, que estava na plateia, se irritou com os ataques, mas o apelo de Campos foi endossado pelos demais governadores nordestinos. Eles anunciaram que, no próximo dia 10, em reunião em Fortaleza, vão unificar o discurso em defesa do pré-sal para todos. "Se não, será 24 a 3 no Congresso", resumiu o governador da Bahia, Jaques Wagner, tentando mostrar que não só o Nordeste, mas também os demais Estados se unirão contra Rio, São Paulo e o Espírito Santo - maiores produtores.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que comandou a cerimônia, evitou alimentar o debate. Como candidata à sucessão no Planalto, Dilma não tem interesse em brigar com eleitores de nenhum Estado. "Não vou entrar na polêmica da distribuição de recursos do pré-sal."
Em entrevista, Campos foi ainda mais duro. "Se for no cabo de aço, não tenho dúvida, nós vamos ganhar. Se for a velha regra do regionalismo, vamos ganhar não só na Câmara, como no Senado", avisou. "Não é possível existir uma regra que exclua a maioria do País", disse, ressaltando que acredita em um entendimento. "Ninguém de bom senso neste País pode achar que é justo concentrar (os royalties) em três estados e 200 municípios e deserdar mais de cinco mil municípios e mais de 24 Estados."
O governador do Rio tentou demonstrar naturalidade. "Eu é que não concordo que os recursos de um Estado sejam passados para outros. Os governadores do Nordeste têm direito de discutir e participar, mas o Rio é o segundo arrecadador de impostos do País, depois de São Paulo. E muito disso vai para outros Estados."
Marcelo Déda, de Sergipe, reiterou que "é preciso encontrar uma fórmula capaz de preservar o interesse nacional". Wilma Faria, Rio Grande do Norte, disse que "os recursos do pré-sal têm de ser divididos igualmente a todos os Estados e municípios".