Título: Governo ainda discute uso do FGTS por trabalhadores
Autor: Rosa,Vera;Moraes,Marcelo de
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/09/2009, economia, p. B4

Em entrevista à emissora francesa TV 5, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a compra de novas ações da Petrobrás, quando for realizada a capitalização da empresa. Trechos da entrevista, que deve ser exibida no domingo, um dia antes da chegada ao Brasil do presidente francês, Nicolas Sarkozy, foram divulgadas pela Agência Brasil.

Segundo a agência, Lula disse que o FGTS não deve ser usado "nem mesmo" para que acionistas minoritários acompanhem o governo no aporte que fará na companhia para que ela faça investimentos na exploração do pré-sal. Em 2000, o governo permitiu que cotistas do FGTS aplicassem parte de seus recursos em ações da estatal.

Na segunda-feira, durante o anúncio das novas regras propostas para o pré-sal, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, também havia dito que o FGTS não poderia ser usado.

Apesar disso, fontes do governo afirmam que a possibilidade ainda está em aberto e não deve ser descartada. A decisão cabe ao Conselho Curador do FGTS, composto por representantes do governo, dos trabalhadores e dos empresários. Uma fonte disse à Agência Estado que o assunto não está encerrado e deverá ser discutido pelo Conselho Curador.

Representantes dos trabalhadores, que ganharam com as aplicações, já defendem a possibilidade de uso desse recurso. "Vamos insistir para usar parte do FGTS na capitalização da Petrobrás", disse o deputado federal e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho. Ele mesmo utilizou o FGTS para aplicar na Petrobrás e ganhou bastante dinheiro, disse. Desde 2000, quando foi aberta a possibilidade de aquisição de aplicação do FGTS na Petrobrás, esse investimento já rendeu mais de 1.000%.

Segundo ele, o assunto foi levado pela Força Sindical para Dilma na semana passada, quando ela apresentou as linhas gerais do marco regulatório. Mas, segundo o deputado, na ocasião, ela não se posicionou sobre o assunto.

Ao Estado, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, reiterou que não é intenção do governo reabrir a possibilidade de investir na Petrobrás com o saldo do FGTS. "Aquilo foi uma concessão que o governo fez lá atrás para que as pessoas se valessem do FGTS e comprassem ações. Não é a posição atual do governo. Então, cada minoritário que possuir ação poderá exercer seu direito com seus recursos." Uma fonte do Conselho Curador ligada aos trabalhadores disse que não há uma definição sobre o tema, mas o uso do Fundo é uma possibilidade que deve ser considerada.

Para o jurista Nelson Eizirik, a discussão é mais complexa. Os trabalhadores que aplicaram dinheiro do fundo não têm direito à subscrição das novas ações que serão emitidas pela estatal. "Eles têm cotas de um fundo que aplicou em ações da Petrobrás, eles não têm direito de subscrição."