Título: Toffoli vai ao Senado para desarmar resistências
Autor: Recondo, Felipe
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/09/2009, Nacional, p. A6
Indicado ao STF entregou relatório de sua gestão na AGU e tentou diminuir peso de condenação judicial
Eram 8h45 da manhã de ontem quando José Antonio Dias Toffoli, indicado para o Supremo Tribunal Federal, chegou ao Senado para desarmar possíveis resistências ao seu nome. Nas visitas pessoais aos senadores, uma praxe entre os indicados para cargos importantes e que dependam da aprovação da Casa, Toffoli tentava diminuir o peso da condenação que sofreu em primeira instância na Justiça do Amapá e entregava a cada parlamentar o relatório de sua gestão na Advocacia-Geral da União, o que considera uma vitrine de sua indicação.
No calhamaço, citava, por exemplo, teses que defendeu no Supremo e foram aprovadas pelos ministros do STF. E mostrava que sua atuação como advogado-geral da União rendeu, nos últimos dois anos, R$ 476 bilhões de economia em processo judiciais em que decisões do governo eram contestadas.
Nas conversas a portas fechadas, que não passavam de cinco minutos, Toffoli dizia que a condenação judicial não tem fundamento. Na peregrinação, conversou com Eduardo Suplicy (PT), Demóstenes Torres (DEM), Lúcia Vânia (PSDB), Romero Jucá (PMDB) e João Ribeiro, Expedito Filho e César Borges (PR).
O resultado das conversas, conforme dois senadores, um da base governista e outro oposicionista, mostra que Toffoli não deverá enfrentar constrangimentos maiores na sabatina. Ao contrário, disse um deles, ele será respeitado e não virará alvo de ataques como o foi o atual presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, quando sabatinado em 2002.
Hoje, o relator da indicação de Toffoli na Comissão de Constituição e Justiça, senador Francisco Dornelles (PP), apresenta aos integrantes seu relatório. Vai citar a condenação sofrida por Toffoli e a suspensão da execução da sentença. Mas foi lembrado que não poderá fazer juízo de valor sobre a sentença. Toffoli não deverá participar da sessão. Deverá aproveitar o dia para uma nova rodada de conversas antes da sabatina, que, por um acordo entre governo e oposição, só será realizada no dia 30.