Título: Investidor estrangeiro questiona projeto
Autor: Anna,Lourival Sant
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/09/2009, Economia, p. B6
Em Londres, presidente da Petrobrás teve de explicar mudanças no modelo de exploração A fatia do governo na Petrobrás, os detalhes do processo de capitalização, a viabilidade econômica dos projetos no modelo de partilha e o conteúdo nacional nos equipamentos do pré-sal estiveram entre as principais dúvidas dos investidores que participaram da apresentação da estatal brasileira ontem em Londres.
O presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, afirmou que o governo pode elevar a participação na companhia caso os minoritários não subscrevam as ações e admitiu que o mercado não terá capacidade financeira para absorver todo o volume da operação.
Os investidores questionaram a participação da estatal em todos os blocos do pré-sal. A maior preocupação é a de que a empresa se veja obrigada a entrar como operadora em projetos que não sejam viáveis economicamente. Isso porque, pelo modelo de partilha, leva o bloco quem oferecer a maior parcela de lucro ao governo - e a Petrobrás, sempre com um mínimo de 30%, tem de seguir a proposta vencedora.
Um participante levantou a possibilidade da entrada de um player muito agressivo, possivelmente da China, que ofereça parcela extremamente elevada do lucro ao governo, deixando o investimento inviável financeiramente. Gabrielli admitiu que há chances de uma situação como essa ocorrer. No entanto, acredita que é muito improvável que aconteça em todos os blocos. Além disso, a direção da Petrobrás teria, nesse caso, de se posicionar contra esse potencial investidor irracional, avalia Gabrielli.
A exigência de equipamentos fabricados no Brasil para o pré-sal também esteve entre as perguntas. A companhia deixa clara a intenção do governo de dar preferência à produção nacional e incentiva companhias estrangeiras a se instalarem no País.
Gabrielli afirmou que é preciso pensar no longo prazo e evitar a dependência de conteúdo externo, para que a empresa não sofra com a falta de equipamentos, como já aconteceu, e os investimentos não passem por atrasos.
Boa parte das perguntas foi relacionada à operação de capitalização, na busca por detalhes do processo.
Gabrielli encerrou ontem, em Londres, uma série de apresentações sobre o novo modelo do pré-sal para investidores estrangeiros, depois de passar por Nova York e Paris.
Ele disse ter ficado satisfeito com o resultado e que as reações foram positivas. O executivo afirmou ter se encontrado também com fornecedores dispostos a investir no Brasil, mas não esteve com as petroleiras britânicas desta vez. O presidente da Petrobrás contou que já havia se reunido com a British Gas e a BP anteriormente. "As petroleiras querem maior acesso a reservas de petróleo, isso é o mais importante hoje."