Título: Hildebrando é condenado a 18 anos de prisão
Autor: Brandt, Ricardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/09/2009, Nacional, p. A9

Júri considerou que ex-deputado retalhou corpo de mecânico, com motosserra,para vingar morte de seu irmão

O júri popular do Acre condenou ontem a 18 anos de prisão o ex-deputado e ex-coronel da Polícia Militar Hildebrando Pascoal Nogueira Neto por homicídio triplamente qualificado no caso do "crime da motosserra". Após três dias de julgamento, os jurados consideraram que o acusado matou de maneira brutal o mecânico Agilson dos Santos Firmino, o "Baiano", em julho de 1996, em vingança ao assassinato de seu irmão Itamar Pascoal.

A vítima foi sequestrada, torturada e assassinada com requintes de crueldade entre 1 e 2 de julho de 1996, em Rio Branco, conforme descreve o Ministério Público Estadual na peça processual que soma 16 volumes e mais de 15 mil páginas.

Com ajuda de uma motosserra e de um terçado (facão), os braços, as pernas e o pênis de "Baiano" foram decepados pelo acusado, segundo denúncia aceita pelo Tribunal do Júri. Durante a sessão de tortura, os olhos foram perfurados, um prego cravado na testa, diversas costelas foram quebradas, além de vários tiros disparados contra sua cabeça.

O motivo: "Baiano" estava no dia 30 de junho, junto com José Hugo, o homem que matou o irmão do ex-parlamentar, o subtenente da PM Itamar Pascoal, num posto da cidade quando os dois se envolveram em uma discussão. "Nos dias que se seguiram ao crime, a família Pascoal empreendeu a maior operação de caça e execução a familiares e pessoas ligadas aos dois envolvidos no caso", sustentou o promotor Alvaro Pereira, um dos responsáveis pelo processo.

Para o Ministério Público, Hildebrando, que era coronel, seu irmão Pedro, também policial, e o primo Aureliano, então comandante geral da PM, realizaram prisões ilegais, sequestros, tortura e assassinatos para vingar a morte de Itamar.

A sentença dos sete jurados, lida pelo juiz Leandro Leri Gross, às 21h20 de ontem, considerou que Hildebrando foi não só responsável pelo assassinato, mas acatou tese da acusação de que o crime foi cometido por motivo torpe, empreendendo meios cruéis e impedindo a possibilidade de defesa da vítima.

Aos 57 anos e preso há dez anos pela prática de outros crimes, além de tráfico de drogas e formação de quadrilha, Hildebrando recebeu a sentença sem esboçar raiva. Apenas agradeceu ao juiz o direito de defesa dado a ele, que teve a oportunidade de fazer uma autodefesa de 6 horas e 20 minutos, entre o primeiro e segundo dia do júri.

A condenação acontece exatamente 10 anos após ele ser preso em Brasília. A soma de suas penas chega a 106 anos de prisão, mas o código penal prevê o cumprimento de no máximo 30 anos.