Título: Restrições paralisam fronteira entre El Salvador e Honduras
Autor: Marin, Denise Chrispim
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/09/2009, Internacional, p. A14
Caminhões formam longas filas e pessoas tentam driblar por terra fechamento de aeroportos
El Amatillo, na fronteira entre El Salvador e Honduras, estava praticamente parada ontem. Por dezenas de quilômetros, caminhões com carga pesada faziam fila nos dois lados da pista. Carros mais leves cortavam caminho por estradas de terra, tentando furar a fila de caminhões e alcançar os postos de imigração e de aduana. Mesmo com o toque de recolher suspenso no período entre 10 e 16 horas, nos últimos dois dias, o movimento não fluía e impedia o abastecimento interno e o comércio de ambos os lados da fronteira.
Suado e resignado, depois de 30 horas na fila, o salvadorenho Leandro Aguilar, que trabalha como caminhoneiro há 18 anos, deitou-se na rede armada no próprio caminhão carregado de cloro e estacionado no acostamento. "Deveria ter entregado a carga hoje de manhã. É a primeira vez que vejo uma trava como essa", comentou, sabendo que teria comida suficiente para apenas mais três dias, mesmo com a expectativa de uma espera mais longa.
O toque de recolher deu outro ritmo e exigiu nova logística na fronteira, em especial para as pessoas que precisavam driblar por terra o fechamento dos aeroportos internacionais de Honduras para chegar a Tegucigalpa. País menos eufórico do que a Nicarágua com o regresso de Manuel Zelaya, El Salvador tornou-se um caminho mais seguro. Mas os impedimentos no trajeto normalmente livre entre San Salvador e Tegucigalpa impuseram a busca de alternativas e criaram oportunidades de negócios.
Piloto da aviação comercial desempregado há um ano, Néstor Velásquez aceitou conduzir pessoas em uma caminhonete de San Salvador a El Amatillo, uma distância de 210 quilômetros. Mas, com o carro licenciado em El Salvador, ele não se atreveu a seguir pelas estradas hondurenhas por temer ataques de grupos armados contra veículos estrangeiros. Por conta dessa ameaça, muitas pessoas cruzaram ontem a divisa - a ponte sobre o Rio Guascorán - a pé para tomar outro carro, com placas de Honduras, do outro lado da fronteira.
Pedro Maldonado, de 21 anos, foi um dos hondurenhos desempregados que se aventuraram ontem a levar passageiros em uma caminhonete preta até Tegucigalpa. Na caçamba, ele levou dois amigos, como segurança contra eventuais ataques.