Título: Capitalização do BNDES eleva dívida pública
Autor: Veríssimo, Renata
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/09/2009, Economia, p. B4
Dívida pública federal cresce 4% em agosto e chega a R$ 1,509 trilhão
A Dívida Pública Federal (interna e externa) subiu R$ 52,86 bilhões em agosto e atingiu a marca de R$ 1,5 trilhão. O salto de 4% no endividamento do governo federal num único mês refletiu, principalmente, uma operação de R$ 36 bilhões de empréstimo ao BNDES em títulos da dívida interna. Foi a última parcela do financiamento de R$ 100 bilhões que o governo concedeu durante a crise para aumentar a oferta de crédito do BNDES às empresas brasileiras.
O impacto de R$ 12,4 bilhões dos encargos de juros também contribuiu para o aumento da dívida. O peso maior dos juros - R$ 10,8 bilhões - incidiu sobre o estoque da dívida interna, que fechou o mês em R$ 1,4 trilhão com alta de 3,63% . A dívida pública externa subiu 1,65% e atingiu R$ 108,9 bilhões. Em agosto, o Tesouro emitiu R$ 66,06 bilhões em títulos e resgatou R$ 25,53 bilhões em papéis que estavam vencendo.
Segundo o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Fernando Garrido, não há previsão de novas emissões de títulos para o BNDES neste ano. Para ser feita uma nova emissão de títulos seria necessária a edição de uma nova lei. O coordenador disse que o Tesouro não observa distorções de preço no mercado secundário de títulos em função do volume elevado de papéis emitidos para o BNDES. Garrido informou que até o final do ano R$ 18 bilhões dos R$ 100 bilhões já terão vencido.
O coordenador afirmou que o movimento de alta dos juros futuros ao longo desta semana não justifica mudança de estratégia de emissões de títulos do Tesouro. Os juros futuros estão em alta porque o mercado passou a prever uma elevação da taxa Selic em 2010 pelo BC.
CHINA
Na esteira da elevação do rating do Brasil pela agência Moody""s, o poderoso Fundo Soberano da China (CIC, na sigla em inglês) manifestou ontem interesse em comprar títulos da dívida doméstica brasileira.
Durante reunião, em Pequim, com representantes do Tesouro Nacional, as autoridades do CIC confirmaram o interesse em comprar títulos de longo prazo atrelados à inflação. Com cerca de US$ 300 bi, o CIC começou a diversificar investimentos depois da crise global.
"Foi um primeiro contato. É sinal muito positivo", informou o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Fernando Garrido. Segundo Garrido, o contato com as autoridades do CIC foi feito pelo secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Paulo Valle, que está em Pequim participando do Fórum de investimento China-América Latina.